Grupos têm falta de palcos e apoios

Manuel Fontoura| Ndalatando
29 de Abril, 2015

Fotografia: Nilo Mateus| Ndalatando

A dança no Cuanza Norte está a perder espaço, sobretudo o estilo tradicional Kaboquele, originário dos Mahungo, localizados nos municípios da Banga, Quiculungo e Bolongongo, a Norte da província.

O director provincial da Cultura do Cuanza Norte, David João Buba, disse, por ocasião do Dia Mundial da Dança, que se assinala hoje, que a dança Manharra, actualmente apresentado em cerimónias fúnebres, é proveniente de países como a Zâmbia e Namíbia. “Actualmente, num óbito ou numa manifestação cultural qualquer, se não houver a manharra a coisa fica isolada”, disse.
A dança manharra que tem sido a mais usada nos últimos tempos em óbitos, festas, alembamentos e outras manifestações foi levada para Ndalatando na altura da guerra, no ano de 1985.
As danças Katonge, Rebita e Kassanda são mais utilizadas nos bairros Embondeiro e Sobocoto, (Ndalatando), embora sejam todas oriundas de outros municípios.
Os munícipes de Ambaca, particularmente na comuna do Luinga, utilizam os instrumentos tradicionais a marimba e kissanje, feito de cabaças, pau polido, fios de corda de embondeiro e kiboça.
Apesar da marimba ser proveniente de Malanje, na região do Luinga, (Ambaca) e Mussabo (Samba-Cajú), zonas fronteiriças com o antigo Duque de Bragança (Malanje) e Cangola (Uíge), herdaram esta tradição. Os munícipes  de Ngonguembo dançam tradicionalmente o puépue, kaquino e massemba.
Com vista a engrandecer cada vez mais as danças tradicionais da região, o director provincial da Cultura está a projectar um plano que visa examinar minuciosamente os grupos, obrigando-os a uma organização mais eficaz para que possam efectivamente realizar as suas actividades. Estão registados 29 grupos de dança, entre tradicionais e modernas. Bailarinas e bailarinos carecem de espaços para os ensaios, trajos e outros meios indispensáveis para uma apresentação condigna dos grupos.
Apesar de inúmeras dificuldades que os grupos enfrentam, David João Buba considerou satisfatório o trabalho realizado, tendo sublinhando que a Direcção Provincial da Cultura continua a desenvolver esforços junto dos empresários para obter ajudas que façam crescer a dança. O sector perspectiva ainda para este ano acções de formação dos grupos sobre ritmos. A falta de uma escola de dança impossibilita igualmente o trabalho do sector da Cultura.
“Os empresários locais e entidades singulares devem olhar para as danças como parte da cultura angolana, apoiando iniciativas dos vários grupos criados em todos os municípios”, disse David João Buba. As danças tradicionais prevalecem e continuam a ser apreciadas. O Dia Mundial da Dança comemorado no dia 29 de Abril, foi instituído pelo Comité Internacional da Dança (CID) da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) no ano de 1982.
Ainda é uma efeméride nova e até mesmo desconhecida para muita gente, pois começou a ser realmente lembrada no Brasil nestes últimos anos. Cada vez mais, no entanto, artistas e profissionais da área reconhecem que é importante celebrar a data para, inclusive, dar maior visibilidade à dança, lembrar-se de sua importância e de suas demandas.
Ao criar o Dia Internacional da Dança a UNESCO escolheu o 29 de Abril por ser a data de nascimento do mestre francês Jean-Georges Noverre (1727-1810).

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