Cultura

Danças e mensagens para subida à Classe Principal

Roque Silva

Catorze grupos carnavalescos da classe B (adultos) desfilaram, ontem, na Marginal da Praia do Bispo, com o objectivo de ascender ao escalão principal (classe A) do Carnaval de Luanda.

Grupos da classe B tudo fizeram para impressionar
Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

Os grupos dos distritos de Luanda, Kilamba Kiaxi, Viana, Cacuaco e Talatona apresentaram-se na máxima força, apesar das cons-
tantes e habituais reclamações sobre a obtenção dos subsídios para suportar as despesas inerentes à participação na que é a maior manifestação cultural de Angola.
Sob o olhar atento do governador provincial, Adriano Mendes de Carvalho, dos secretários de Estado da Cultura, João Constantino e Maria Piedade, e dos administradores municipais, os grupos deram o melhor de si, na expectativa de verem o esforço recompensado, com colocação entre os cinco primeiros lugares, que permitem ascender à classe A.
Os grupos capricharam nas mensagens das canções, na bandeira, corte, dança e alegoria, numa clara demonstração de que as dificuldades não os impede de dançar o Carnaval, embora muitas ve-zes tidas como aspecto motivador para um melhor desempenho, face ao maior desejo e espírito dos grupos: dançar e fazer bem o Carnaval.
Semelhante ao desfile Infantil, realizado sábado, constatou-se que o legado do Carnaval está a ser bem transmitido. A competição abriu ao som da dança Kazukuta, pelo União Kazukuta do Sambizanga, às 17h40, depois de um atraso de 40 minutos.
O Kazucuta do Sambizanga esteve entre os me-lhores grupos do dia; pren-
deu a atenção de todos, pelo peculiar compasso dos bailarinos, empunhando guarda-chuvas, trajados de preto e botas, apoiados numa bengala. A cadência  do sapateado, em movimentos giratórios, oscilando o corpo, com o apoio dos calcanhares é a típica dança que caracteriza o grupo.
Ouvia-se o som da corneta e  os foliões dançaram ao som da canção “"João Lourenço”, num claro apoio à gestão e às reformas efectuadas pelo Presidente da República.
A competição seguiu com o grupo Unidos do Zango, ao som do estilo de dança Semba. A agremiação fez um forte apelo para a reparação das estradas, exibindo a alegoria de um viaduto, com sinalização, postes de iluminação e viaturas, organizadas em duas faixas de rodagem. O União Kwanza, por seu lado, apresentou uma proposta idêntica, tendo destacado o viaduto do bairro Ca-mama, numa canção e dança Kabetula, muito ritmada, com massemba entre os bailarinos.
O União 17 de Setembro foi o terceiro a deixar o seu requinte na Marginal da Praia do Bispo. O grupo do Kilamba Kiaxi homenageou o primeiro Presidente, Agostinho Neto, e sugeriu a manutenção da liberdade e paz, enquanto o grupo União “Etu Mu Dietu” apelou ao desenvolvimento e à unidade. A tonalidade amarela, nos trajes, foi a que mais se destacou no grupo do Sambizanga, que defendeu a eliminação das drogas e a promoção da qualidade do ensino  no país. Para ilustrar, apresentou uma alegoria com crianças trajadas de batas brancas, com cadernos na mão.
 Desfilaram ainda União Café de Angola, União Giza, União Domant e  União Sagrada. Esperança.

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