Daniel Barenboim interrompe recital


26 de Dezembro, 2014

O pianista e maestro argentino Daniel Barenboim viu-se obrigado a interromper o recital que estava a fazer no Teatro Scala de Milão, em Itália, para repreender uma espectadora que não parava de o fotografar com flash.

“Quem faz fotografias [numa situação destas] é mal-educado”, protestou o pianista, dirigindo-se expressamente a uma espectadora perto do palco, que repetidamente o incomodava com o flash da sua câmara.
Barenboim começava o quarto e último recital da integral das sonatas para piano de Franz Schubert, um programa que tinha iniciado a 3 de Dezembro naquele que é o mais famoso palco musical de Itália e um dos mais mediáticos em todo o mundo.
O relato da AFP, citando também a agência italiana AGI, diz que a mesma espectadora já perturbava o trabalho do pianista noutros recitais.
“Madame, eu esforço-me por dar o meu melhor, mas você não está a respeitar o meu trabalho. Já lhe disse nos outros concertos, a primeira vez em tom de brincadeira, mas agora falo a sério”, protestou Barenboim, repetindo que todos aqueles que fazem fotografias durante os concertos “são mal-educados”.
O público aplaudiu energicamente a atitude do pianista e maestro e este retomou a execução da Sonata D 845, completando depois o programa com a Sonata D 960. A integral das sonatas de Schubert é um programa que Barenboim recentemente gravou para a Deutsche Grammophon e que agora executou no Scala em paralelo com a direcção musical da ópera Fidelio, de Beethoven, estreada no teatro de Milão no dia 7 de Dezembro, a abrir a nova temporada da instituição.
Esta produção marca também a última temporada de Daniel Barenboim como director musical do Scala, ao mesmo tempo que assinala a entrada em funções do seu novo director artístico, o austríaco Alexander Pereira, oriundo do Festival de Salzburgo.
Na noite da estreia de Fidelio, Barenboim foi presenteado com uma ovação de 13 minutos, mas no exterior do Scala uma ruidosa manifestação chamava a atenção para o contraste entre a crise económica e social que a Itália atravessa e a plateia recheada de espectadores ricos que saíam do teatro.

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