Daniela Ribeiro com arte global


14 de Janeiro, 2016

Fotografia: Daniela Ribeiro |

“O que é ser global” é o título da exposição de Daniela Ribeiro patente na  Galeria de Arte do Banco Económico, na Rua do 1.º Congresso, em Luanda, até ao dia 29.

Nesta exposição, na qual propõe uma reflexão sobre o global,a artista apresenta 15 obras de diferentes dimensões, produto de um trabalho digital e multimédia fragmentado, peças de telemóveis, constantes nos seus trabalhos, de resinas epóxicas, PVC e vinil.
As personagens, todas elas parecendo vindas de um futuro sobrenatural, encarnam os estigmas da tecnologia, mas a artista adiciona-lhe a vertente que os liga ao mundo natural e à humanidade. Elementos de ficção científica, ficção histórica, fantasia e realismo mágico com cosmologias não-ocidentais são combinados a fim de criticar não só os dilemas actuais dos africanosmas também de rever, interrogar e reexaminar os eventos históricos do passado.
A artista interroga-se:“Pode uma comunidade cujo passado foi apagado ecujas energias são consumidas pela busca de traços legíveis da sua história imaginarfuturos possíveis a um nível global?Noções de legado, memória, arquivo, identidade, são aqui colocadas como catapultas de um passado para uma ou várias antevisões de um futuro, mas num futuro que se insere num contexto mais amplo, à escala global”.
No seu percurso artístico, Daniela Ribeiro debruça-se sobre a inteligência artificial (“Olho Biónico”, em 2012, “Confessionário Cientológico”, em 2009) e na investigação que tem feito sobre o tema, cujo foco principal parte da ideia de que o homem passou de criação a criador. Mais além, projecta a noção do imaginário futurista do homem que, pelos efeitos tecnológicos e científicos, se ultrapassa a si mesmo nas capacidades e feitos.
Na corrente do trabalho, a que a própria artista chama de surrealismo científico, o legado histórico da “astronomia cultural africana” é posto em intercepção com a arte tradicional e contemporânea africana já que por milénios os africanos têm contemplado o céu azul e os corpos celestes e usaram as suas observações para traçarem os movimentos em calendários agrícolas e rituais. O Sol, a Lua e os fenómenos celestiais inspiram as artes africanas desde os tempos antigos (exposição “As Nuvens”, em 2015, “O Rosto de Deus”, em 2011).
Da pesquisa antropológica e da literatura à intercepção entre a cultura negra, a tecnologia, a libertação e a imaginação, com algum misticismo, também se enquadra na estética literária do “Afrofuturismo”, que pode ser expressa através do cinema, arte, literatura e música. É uma forma de colmatar o futuro e o passado e ajudar a reinventar a experiência dos africanos.

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