Defendida a preservação de danças


2 de Maio, 2017

Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

O director provincial da Cultura no Cuanza Norte, David Buba, preconizou, em Ndalatando a necessidade da preservação das danças tradicionais por constituírem património cultural e histórico do país.

Em declarações à Angop, a propósito do 29 de Abril, Dia Internacional da Dança, David Buba disse estar preocupado pelo facto de os cidadãos, particularmente jovens, desvalorizarem as danças folclóricas, tendo lamentado o facto de darem primazia às danças estrangeiras em detrimento dos bailados tradicionais.
A província é rica em ritmos e danças tradicionais, destacando-se os estilos “Dilongho”, “Kabokele”,  “Ndondela”,  “Dingwela”, “Disanda”, “Cidralia”e “Cazucuta”, entre outros. De acordo com dados estatísticos, existem inscritos 46 grupos, entre tradicionais e de  dança moderna, disse David Buba, que explicou: “É urgente resgatar as danças tradicionais, para não se correr o risco de desaparecer e, consequentemente, perder-se parte da identidade cultural nacional”.
David Buba acrescentou que essa constatação é mais acentuada nas zonas urbanas, em consequência da falta de passagem de testemunho, fruto do desaparecimento físico dos dançarinos mais velhos, e que o êxodo dos jovens das aldeias para as cidades é outra das razões dessa crise cultural.
É necessário a promoção das danças tradicionais, a semelhança do que tem sido feito com o kuduro e a kizomba, em plena ascensão na arena nacional e internacional, disse David Buba, que apelou ao envolvimento dos investigadores para ampla divulgação e resgate das danças tradicionais. David Buba informou que a Direcção da Cultura, no Cuanza Norte, leva a cabo um programa de cadastramento dos grupos de danças tradicionais, além dos grupos que praticam danças modernas e recreativas, para melhor divulgação ao nível local e nacional.

Inclusão social

A dança, à semelhança de outras manifestações culturais, pode servir de ferramenta de inclusão social, segundo afirmação da coreógrafa brasileira Fernanda Schneider.
A coreógrafa, que falava a propósito o 29 do Abril, Dia Mundial da Dança, referiu que a kizomba e o semba, em ascensão pelo mundo, têm permitido a aproximação e intercâmbio entre povos de diversas culturas e etnias.
Na  óptica de Fernanda Schneider, a dança é uma das manifestações culturais de maior relevância no mundo, pois, além do valor de identidade de arte e cultura de uma nação, é também uma actividade física, e bem orientada agrega benefícios para a saúde.
"As distorções na dança, geralmente, provêm da falta de conhecimento e interesse profundo, numa tentativa de criar algo novo, ou seja usurpar uma cultura e atribuir mérito próprio", disse Fernanda Schneider que adiantou que em alguns casos deformam o produto original por julgar aquela dança desinteressante e adaptando para torna-las mais comercial. Fernanda Schneider observou que alguns profissionais angolanos e estrangeiros, tal como ela, têm feito esforços para reverter o quadro na diáspora, de maneira a evitar a perca da identidade das danças que desenvolvem.
No Brasil, disse Fernanda Schneider, além de aulas, organiza eventos para difundir a cultura angolana de forma genuína. Fernanda Schneider começou a dançar aos três anos de idade, é profissional há 14 anos da linha Ballet Clássico e Contemporâneo e ensina kizomba e semba desde 2014.

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