Descobertos textos de Capote


27 de Outubro, 2014

Fotografia: Divulgação

O editor suíço Peter Haag e a mulher, a jornalista Anuschka Roshani, descobriram em Nova Iorque, 20 contos e uma dúzia de poemas inéditos de Truman Capote, que morreu há 30 anos.

A descoberta foi capa da revista “ZEITMagazin”, do semanário alemão “Die Zeit”, que publicou traduções de quatro dos contos agora encontrados: “Miss Belle Rankin”, “This Here Is from Jamie”, “Saturday Night” e “The Horror in the Swamp”.
Para o editor, os textos agora encontrados na Biblioteca Pública de Nova Iorque, que devem ter sido escritos pelo autor de “A Sangue-Frio” entre os 11 e os 19 anos, permitem ver “um jovem génio a trabalhar”.
O conjunto de narrativas breves e poemas, que Truman Capote escreveu entre os 11 e os 19 anos, declarou, somente deve ser publicado em Dezembro de 2015, em alemão pela editora de Peter Haag, Klein & Aber, e no original inglês pela Random House.
O escritor David Ebershoff, especialista na obra do autor de “Boneca de Luxo” e “A Sangue-Frio”, que está a preparar os textos para a edição da Random House, diz que “ler estes manuscritos, com as suas correcções e revisões, é fascinante, porque se pode literalmente ver o talento de Capote e o seu modo de olhar o mundo”.
O editor Peter Haag e a jornalista Anuschka Roshani referiram que foram a Nova Iorque para encontrar os capítulos em falta do romance inacabado “Súplicas Atendidas”, publicado postumamente em 1986. Não foi a primeira vez que o casal esteve nos EUA com esse mesmo propósito. 
O casal suíço falou com pessoas que conheciam bem Capote e, como já tinha feito anteriormente, pesquisou o espólio do escritor na Biblioteca Pública de Nova Iorque, conservado em 34 caixotes de cartão e descobriu 20 contos e 12 poemas. Nem todos estão datados, mas todos escritos antes de Truman Capote fazer 20 anos. O conjunto é quase integralmente inédito e inclui apenas umas poucas histórias já publicadas num jornal do liceu.  “Não deixa de ser estranho que os textos tenham permanecido tantos anos numa biblioteca pública sem ninguém lhes tocar”, disse Anuschka Roshani.
Truman Capote (1924 - 1984), além de escritor, argumentista e dramaturgo norte-americano, foi o pioneiro do “jornalismo literário” com “A Sangue-Frio” (1966), classificado por ele como um romance de não ficção.
O autor teve uma infância perturbada pelo divórcio dos pais, uma longa separação da mãe e múltiplas migrações. Descobriu o interesse pela literatura aos 11 anos e durante o resto da infância aperfeiçoou as habilidades literárias. Começou a carreira profissional como contista.
O êxito junto da crítica do conto “Miriam” (1945) despertou atenção do editor Benett Cerf, da Random House e valeu-lhe um contrato para escrever o romance “Outras Vozes, Outros Lugares” (1948), mas a fama apenas chegou com “A Sangue-Frio”, obra jornalística sobre o assassinato de uma família camponesa do Kansas. Capote passou quatro anos a escrever o livro, com a ajuda da amiga Harper Lee, que escreveu “O Sol Nasce para Todos” (1960). Considerado um marco na cultura popular, o livro foi o auge da sua carreira literária.

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