Cultura

Destacada a liderança do rei Afonso I

A liderança do rei do Kongo, Dom Afonso I (Nvemba a Nzinga), na edificação da cidade de Mbanza Kongo, capital do antigo império Kongo, no século XVI, foi destacado no sábado.

Antropólogo realça o papel de Dom Afonso I em Mbanza Kongo
Fotografia: Pedro Moniz Vidal| Angop

Nvemba a Nzinga, baptizado Afonso I, que reinou entre 1506 e 1540, foi o responsável pela edificação de Mbanza Kongo em cidade de estilo medieval, segundo o antropólogo Manzambi Fernando.
O também docente universitário dissertava sobre o papel de Dom Afonso I como construtor da cidade de Mbanza Kongo, numa palestra inserida no programa das actividades alusivas ao 1.º aniversário da inscrição do Centro Histórico de Mbanza Kongo na UNESCO, assinalado ontem.
Manzambi Vuvu Fernando disse que foi durante o reinado de Nvemba a Nzinga que foram ratificados os acordos de cooperação assinados pelo seu pai, Nzinga Kwvu, rei do Kongo entre 1465 e 1506, com o Vaticano, os portugueses, espanhóis e outros Estados.
Na sua opinião, os bens e vestígios de Mbanza Kongo, que foram classificados como património mundial, são fruto do trabalho de liderança do rei Dom Afonso I na edificação desta localidade.
O académico referiu-se também ao facto de ter sido Nzinga a Nvemba quem ratificou os acordos de cooperação de todas as cláusulas rubricadas por Nzinga a Kwvu com o Vaticano, que permitiram a expansão do cristianismo na África Central. Os acordos de cooperação regimentados em 1526 por Dom Afonso I abrangeram os domínios político, económico, diplomático, cultural, jurídico e educacional.
Por sua vez, o sociólogo Zolana Avelino, que apresentou o tema relativo à inscrição de alguns vestígios de Mbanza Kongo como património cultural da Humanidade, destacou a simbiose entre os bens materiais e imateriais desta cidade para o alcance deste objectivo. Segundo o sociólogo, existem duas convenções que dão corpo ao conceito de património mundial, nomeadamente a de 1972, que se refere especificamente ao património material (tangível), e, muito recentemente, a de 1993, que aponta também a autenticidade da dimensão imaterial.
 Zolana Avelino entende que Mbanza Kongo, como património cultural da Humanidade, que reuniu os requisitos das duas convenções referidas, é um caso atípico para estudo e que poderá servir de contribuição para o enriquecimento do actual conceito. Participaram na palestra, o vice-governador do Zaire para o Sector Político, Económico e Social, António Félix Kialungila, membros do governo local, docentes e estudantes universitários.

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