Cultura

Destacadas as acções de Neto na luta contra o colonialismo

O papel desempenhado pelo Fundador da Nação, primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, na luta contra o colonialismo português, foi enaltecido durante uma palestra realizada na cidade de Bahia, no Brasil.

São realizadas amanhã na capital do país várias actividades com destaque para “Pensar em Neto: do Idealismo ao Concreto” na UEA
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

A actividade, que decorreu no Centro Cultural da Casa de Angola, na Bahia, teve a participação de estudantes brasileiros e africanos.
De acordo com uma nota da Embaixada de Angola no Brasil, foi prelector o professor e escritor Jonuel Gonçalves, que descreveu a vida e obra de Agostinho Neto.
Ainda no quadro das actividades programadas para assinalar os 95 anos do Fundador da Nação, a Embaixada de Angola no Brasil vai realizar na Universidade de Brasília um acto de exaltação a Agostinho Neto e de informação sobre o país.
Para além da palestra sobre a vida e obra do primeiro presidente, vai ser exibido um documentário sobre a realidade angolana, declamação de poesia de Neto e exibição de danças angolanas.

 Exposição de pintura

Uma exposição colectiva de artistas plásticos (pintura e fotografia) que retratam o primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, está patente até sábado, em Luanda, na Casa da Cultura Njinga  Mbande, no município do Rangel.
Sob o tema “Celebrando Neto”, a mostra consta da Semana de Arte e Cultura, que decorre neste mês, e teve no dia da inauguração a realização de um concerto intimista do cantor e compositor Kizua Gourgel e sua banda.
A Semana de Artes e Cultura tem como objectivo relembrar a vida e obra de Agostinho Neto e inclui, também, palestras, sessões de poesia, peças teatrais e música e concurso para crianças.
A “Poesia e obra de Neto no imaginário musical angolano” e “Um olhar profundo de Neto”, entre outros, constituem os principais temas a abordados durante a semana. 
 
Concurso de dança infantil
 Um concurso infantil de dança tradicional teve lugar, no domingo, em Ndalatando, província do Cuanza-Norte, envolvendo mais de cem estudantes do ensino primário e secundário.
O concurso foi organizado pela Direcção Provincial do Instituto Nacional da Criança (INAC).
Uniformizados com trajes que representam a cultura angolana, os participantes actuaram ao som de ritmos de música tradicional, no Cine Ndalatando.
O concurso foi ganho pelos representantes da escola do bairro Imbondeiros, seguidos da Escola Catome de Baixo e Escola 20, no segundo e terceiro lugares.
A actividade teve parceria da Organização do Pioneiro Agostinho Neto (OPA) e constou das  comemorações do Dia do Herói Nacional, assinalado no passado dia 17.

Pensamento de Neto

A União dos Escritores Angolanos (UEA) realiza amanhã, às 18h00,  em parceira com o Movimento Litteragris, uma edição de “Maka à Quarta-feira”, subordinada ao tema  “Pensar em Neto: do Idealismo ao Concreto”.
A actividade vai abordar os temas “Futurismo na literatura angolana - Agostinho Neto em diálogo com Jofre Rocha”, tendo como prelector Pedro André Mayamona; “Os valores sagrados em Sagrada Esperança”, com Alfredo G. Vinevala Calala; “A poética de Agostinho Neto”,  com Mabanza Xavier Esteves Kambaca;  “Vida e obra de Agostinho Neto”, com Domingos Martins.
Afredo G. Vinevala Calala é estudante do curso de Língua Portuguesa no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED) e membro do Círculo de Estudos Linguísticos e Literários Litteragris, enquanto Domingos Cardoso Martins é formador e conferencista na especialidade de Ciências Históricas.
Mabanza Xavier Esteves Kambaca é licenciado pela Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto e membro do Círculo de Estudos Linguísticos e Literários Litteragris. Pedro André Mayamona é estudante de Língua Portuguesa no ISCED e membro do Círculo de Estudos Linguísticos e Literários Litteragris.

Destacado legado de Neto
O historiador Fernando Manuel destacou, na sexta-feira, o legado político, a trajectória intelectual, o sentido humanista e a poesia do primeiro Presidente da República de Angola, António Agostinho Neto.
O especialista fez menção às qualidades do fundador da nação angolana quando orientava uma palestra intitulada “O legado de Neto”, numa promoção da União dos Artistas e Compositores - Sociedade de Autores (UNAC-SA).
Na sua óptica, a vida política, cultura e socioprofissional de Agostinho Neto deve servir de inspiração para todos angolanos, independentemente do seu extracto social.
Entre os feitos de Agostinho Neto, o historiador realçou o contributo dado em prol da melhoria do sector da Educação, por ser a chave para o desenvolvimento e progresso de Angola.
Agostinho Neto, lembrou, expandiu e tornou gratuito o ensino, tendo lançado em 1976 a campanha nacional da alfabetização.
“Na época colonial, a educação não era um direito mas um privilégio para poucos angolanos, essa política servia para dominar os nativos, mas Agostinho Neto tornou o ensino acessível e abrangente para todos”, ressaltou. Considerou Agostinho Neto um poeta exímio, que através dos seus versos abordava a cultura angolana, denunciava os maus tratos cometidos contra os angolanos, condenava e combatia o colonialismo português, facto que inspirou muitos outros escritores.
A poesia de Neto, acrescentou, era profética e espiritualista tendo marcado a vida de muitas pessoas, não só os angolanos, mas também de povos de outros países. O livro “Sagrada Esperança” é o de maior referênia da obra poética de Neto, onde dentre outros poemas se destaca o texto “Adeus a hora da largada”.

  Dados biográficos do nacionalista que foi o fundador da Nação

Nascido
a 17 de Setembro de 1922, em Kaxicane, na época conselho de Ícolo e Bengo, distrito de Luanda e faleceu em  Moscovo, a 10 de Setembro de 1979. Foi um médico, formado nas Universidades de Coimbra e de Lisboa. Foi Presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola e em 1975, tornou-se no primeiro Presidente da República de Angola até 1979. De 1975 a 1976, foi-lhe atribuído o Prémio Lenine da Paz.
Fez parte da geração de estudantes africanos que viria a desempenhar um papel decisivo na independência dos seus países naquela que ficou designada como a Guerra Colonial Portuguesa.
Foi preso pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), a polícia política do regime Salazarista então vigente em Portugal, e deportado para o Tarrafal, uma prisão política em Cabo Verde, sendo-lhe depois fixada residência em Portugal, de onde fugiu para o exílio. Daí assumiu a direcção do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), do qual já era presidente honorário desde 1962. Em paralelo, desenvolveu uma actividade literária, escrevendo nomeadamente poemas.
Em Dezembro desse ano, foi eleito presidente do MPLA durante a Conferência Nacional do Movimento e em 1970, foi-lhe atribuído o Prémio Lótus, pela Conferência dos Escritores Afro-Asiáticos com a “Revolução dos Cravos” em Portugal e a derrocada do regime fascista de Salazar, continuado por Marcelo Caetano, em 25 de Abril de 1974, que viria a dar a assinatura de um acordo de cessar-fogo com o Governo Português, o que veio a acontecer em Outubro do mesmo ano. Agostinho Neto regressa a Luanda no dia 4 de Fevereiro de 1975, sendo alvo da mais grandiosa manifestação popular que há de memória em Angola.
No dia 17 de Setembro, Angola celebra o Dia do Herói Nacional, comemorando o dia que Agostinho Neto nasceu. Das suas obras, destacam-se “Quatro Poemas de Agostinho Neto”, Póvoa do Varzim, em 1957, “Poemas”, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império (1961), “Sagrada Esperança”, Lisboa, Sá da Costa(inclui poemas dos dois primeiros livros), em 1974 e “Renúncia Impossível”, Luanda, em 1982.

Tempo

Multimédia