Dezenas de peças de arte são devolvidas ao Egipto


5 de Maio, 2015

A operação “A Maldição da Múmia”, lançada pelas autoridades norte-americanas em 2010, apreendeu ao longo dos últimos anos e repatriou 135 peças roubadas do Egipto, informou o site da embaixada egípcia em Washington.

As peças estariam a entrar na América pela mão de uma rede internacional suspeita do contrabando de sete mil objectos de património móvel de todo o mundo e que era a principal visada pela operação.
O jornal “El País” destacou que algumas das peças agora devolvidas ao Cairo deixaram o Egipto antes da revolução de 2011. Em geral, explica, as mesmas foram roubadas por máfias especializadas no contrabando de antiguidades, que aproveitaram a instabilidade do Egipto no período que se seguiu à queda do presidente Hosni Mubarak, de acordo com os dados dos serviços de fronteiras e imigração norte-americanos.
Entre as obras resgatadas estão várias estatuetas, relevos, máscaras, restos humanos, moedas e um valioso sarcófago com 2.300 anos, que foi passado primeiro para o Dubai, antes de ser apreendido em 2009 numa garagem do bairro nova-iorquino de Brooklyn. O sarcófago apresenta marcas feitas pelos ladrões, que o cortaram em pedaços para poder fazê-lo transportar por um serviço de entrega postal urgente.
“O sarcófago, que tem uma inscrição hieroglífica a dizer ‘A dona da casa’, data do período greco-romano e é exposto no novo Grande Museu Egípcio, a abrir em 2018”, explicou Aly Ahmed, responsável pela divisão de objectos repatriados do Ministério de Antiguidades egípcio.
Além desta peça, entre os objectos recuperados, a maioria pertencentes ao último período do antigo Egipto, cerca de 600 a.C., destacam-se ainda duas barcas funerárias em madeira feitas entre 2000 e 1.700 a.C., vários relevos esculpidos num templo de pedra datados de cerca de 1070 a.C. a 664 a.C., a máscara de uma múmia, restos humanos mumificados e 65 moedas.
As obras foram entregues às autoridades egípcias, ontem, na National Geographic Society de Washington. “Estamos a coordenar-nos com as organizações internacionais encarregues da preservação do património histórico para combater o roubo e a destruição de objectos históricos”, disse Olfat Farah, responsável de Relações Culturais no Ministério de Assuntos Exteriores egípcio, citada pelo “El País”.
Entretanto, às 135 peças apreendidas nos Estados Unidos juntaram-se outras 240 chegadas de França, segundo informou o Ministério de Antiguidades egípcio. Os objectos foram interceptados pelo serviço de fronteiras do aeroporto internacional Charles de Gaulle de Paris ao longo dos últimos anos e são relativos a vários períodos do antigo Egipto. Entre eles está uma colecção de 50 amuletos em forma de coração, feitos em ónix e mármore, estatuetas e anéis.
O repatriamento destas obras, recorda o “El País”, surge na sequência de anos de esforços das autoridades egípcias, que assinaram acordos de colaboração com a maioria dos países ocidentais com o objectivo de impor um maior controle ao comércio ilegal de antiguidades. Em Novembro passado, recorda o diário espanhol, foi assinado um memorando que obriga as instituições americanas, universidades incluídas, a impor novas restrições ao comércio de antiguidades egípcias.  
Desde 2011, apesar da instabilidade nacional e de se saber que muitos grupos estão a operar no terreno, é habitual apenas um agente estar encarregue da segurança nocturna de vários hectares de sítios arqueológicos em zonas remotas do Egipto. Uma tarefa “impossível”.   
O governo egípcio adiantou que, desde a queda de Mubarak, mais de quatro mil peças foram tiradas clandestinamente para o estrangeiro. Só uma quarta parte deste espólio foi, até hoje, recuperada. Apesar de tudo, as peças roubadas de museus como o Museu de Mallawy, saqueado em 2013, ou o Museu Egípcio do Cairo, assaltado durante a revolução de 2011, são mais fáceis de recuperar: a partir do momento em que são interceptadas o Estado pode facilmente provar a sua propriedade. Mas as que estão ainda por identificar e catalogar e dão entrada em colecções privadas e são quase impossíveis de recuperar.

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