Cultura

Diferenças entre artistas cria entraves na gestão

Mário Cohen

As divergências e acusações entre a lista B e a actual comissão directiva da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC) impedem, há meses, a eleição dos novos corpos sociais da associação, informou ontem, em Luanda, o porta-voz da actual comissão, Eliseu Major.

Membros da comissão realizaram uma conferência de imprensa para explicar a situação
Fotografia: Contreiras Pipa| Edições Novembro

Para o porta-voz, que falava, em conferência de imprensa, na sede da UNAC, em Luanda, a actual comissão directiva está a ser alvo de vários processos junto dos tribunais, na maioria “por iniciativa de pessoas que durante anos lesaram, do ponto de vista administrativo, os interesses patrimoniais da organização, como Massano Júnior e Africano Cangombe”.
A comissão directiva, acrescentou, tem várias evidências contra os antigos dirigentes, mesmo estes dizendo que “nós não temos legitimidade”. Após o pedido de demissão destes antigos membros da UNAC, disse, a actual comissão foi surpreendida quando Massano Júnior, Africano Cangombe e Dom Caetano, da lista B, foram ao Huambo fazer uma campanha contra e a desprestigiar a comissão.
Enquanto o acto eleitoral não estava em fase de campanha, continuou, os membros da lista B já faziam campanhas no Huambo, Benguela, Cabinda e Malanje. “Esses camaradas dizem serem os defensores da UNAC, mas são eles que estão a atrasar a eleição, com os tais processos contra a comissão”.
“Quando falamos da gestão personalizada de Belmiro Carlos é porque foi assim que ele geriu a associação. Era mais em prol dos seus interesses pessoais. Os assuntos da UNAC foram postos de lado”, criticou, adiantando que durante a gestão de Belmiro Carlos não havia dinheiro para realizar as actividades da instituição. “Mas o dinheiro surgia quando era para participar em actividades no estrangeiro, como representar o país na Sociedade Portuguesa de Autores”.
Eliseu Major reforçou ainda que têm muitas provas contra a gestão danosa de Belmiro Carlos, em que grande parte dos recursos alocados para a organização foram usados para as viagens. “Outro porém é Massano Júnior que se diz um defensor dos interesses da associação, mas desde a sua demissão ainda não devolveu à UNAC-SA a viatura em sua posse”, lamentou.

Outra gestão
Actualmente, sob mandato da nova comissão, a UNAC tem estado a conseguir suprir algumas das suas dificuldades financeiras, inclusive não tem mais dívidas com os funcionários, que já estavam sem salário desde 2016.
O actual elenco, explicou Eliseu Major, pretende resolver também a questão da dívida com a segurança social e já pagou as contas de água e luz. “É um dever cumprido, para quem encontrou os cofres vazios, mesmo sem receber subsídios do Ministério da Cultura desde Janeiro”.
A nova comissão, informou, pretende ainda colocar duas viaturas à disposição dos membros da UNAC, uma delas, actualmente, em posse do antigo presidente da instituição, Massano Júnior, destituído em Março.
A comissão, reforçou, só está a dirigir a associação até a data da realização das eleições dos novos corpos directivos, que, infelizmente, tem tido muitos empecilhos, “já que tem pessoas dispostas a tudo para dilatarem a data”. Além disso, a comissão está a criar condições para levar vários músicos à Bienal de Luanda, como forma de dignificar os seus trabalhos.

Pareceres
Em resposta à crítica de Eliseu Barros, o antigo secretário da UNAC, Belmiro Carlos, considerou a maioria das acusações de falsas e as refutou, por ter ocupado o referido cargo durante dois mandatos e em nenhum deles recebeu censuras tão negativas.
“São malícias e falácias contra a imagem de algumas pessoas que estão a ser feitas pela actual comissão. A maioria são histórias inventadas, mesmo apesar de alguns terem conhecimento da gestão que apresentei nos mandatos de Teta Lando ou no de Arnaldo Calado, nos quais nunca tive ou fui acusado de ter tido uma gestão danosa, como afirma a actual comissão de gestão”, defendeu-se. Antes de abandonar a UNAC, Belmiro Carlos disse que deixou todos os relatórios de conta em dia e os apresentou à actual comissão.
Por sua vez, o antigo presidente da instituição, Massano Júnior, considera injusta as acusações da actual comissão, que no seu ver está a agir acima dos regulamentos da instituição e de uma forma anárquica, em violação aos estatutos.
“Estive em frente da UNAC durante anos de uma forma legal, já que fui eleito depois da saída de Arnaldo Calado. Na altura era o vice-presidente e após a saída ascendi a presidência. Portanto para ser substituído deveria ter sido realizada uma outra assembleia, onde seria demitido de forma legal. Quanto à viatura, Massano Júnior disse não ter se apoderado da mesma e promete devolver assim que for eleito o novo corpo directivo da UNAC, assim como as chaves do seu antigo gabinete, actualmente fechado.

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