Cultura

Diplomacia brasileira realça a força da língua

Mário Cohen

O Centro Cultural Brasil-Angola (CCBA) promove de Maio a Junho, em Luanda, uma exposição internacional itinerante denominada “Nossa Língua Portuguesa”.

Embaixador do Brasil apresenta o projecto que fica patente durante dois meses em Luanda
Fotografia: Agostinho Narciso |Edições Novembro

O acervo vem do Museu de Língua Portuguesa, criado em São Paulo, Brasil, com o objectivo de difundir a língua portuguesa, bem como recolher mais dados de falantes para enriquecer o museu situado na maior cidade de lusófona do Mundo.
O embaixador do Brasil acreditado em Angola, Paulino Franco de Carvalho Neto, ao presidir a conferência de im-prensa, ontem, para apre-sentação da exposição, considerou a língua portuguesa como um dos mais importantes eixos de actuação da diplomacia brasileira.
Historicamente, disse, o Brasil tem contribuído para a difusão do idioma português, na sua variante brasileira, por meio da manutenção de uma extensa rede de centros culturais no exteriores, dos quais o Centro Cultural Brasil-Angola (CCBA).
Na óptica do diplomata, a exposição “Nossa Língua Portuguesa” constitui um convite à celebração do idio-ma que une para além das fronteiras “e que nos irmana numa comunidade de mais de 260 milhões de pessoas que, por meio dele, expressam a sua cultura, os seus sentimentos, a sua ciência e as suas crenças.”
Por sua vez, a directora do CCBA, Nídia Klein, referiu que o público vai encontrar do acervo conteúdos interactivos em formatos digitais, desde textos, fotografias e documentos  que espelham a origem da língua portuguesa. A mostra inclui, também, painéis que vão ser com imagens várias, conteúdos audiovisuais que vão ser projectados numa tela.
Nídia Klein informou que a parte física da exposição tem como destaque material literário (livros) de autoria de escritores dos países falantes da língua portuguesa com maior referência internacional, entre angolanos, brasileiros, portgueses, cabo-verdianos e moçambicanos.
Uma das metas da exposição é mostrar o acervo aos países participantes, bem como receber contribuições que sirvam para enriquecer o conteúdo existente. “Assim, o Museu poderá representar de forma cada vez mais completa a diversidade e a riqueza da língua portuguesa dos falantes da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)”.
A directora informou que um dos aspectos mais relevantes da exposição do Museu da Língua Portuguesa é a necessidade de sua adaptação a cada um dos quatro países africanos, em que a mostra vai ficar patente durante dois meses.
“É nossa intenção que se encontre o carácter pluricêntrico do idioma retratado e permitir o enriquecimento do acervo do Museu, que passará a representar de forma mais completa as diversas variantes da língua portuguesa”, disse Nídia Klein.
Para que as contribuições de Angola sejam efectivas o projecto  tem a contribuição do escritor José Luís Mendonça, como curador local. Também jornalista, José Luís Mendonça vai assumir o tema “Como falar da cultura angolana”, principalmente para o enriquecimento do acervo do museu.
A produção da exposição e a realização de uma ampla gama de eventos culturais locais, complementares à exposição, também constam do programa, incluindo a formação vigilantes angolanos para as actividades referentes à produção artística. José Luís Mendonça disse trata-se de um desafio para o país, assim como tem em agenda várias contribuições que julga importante para enriquecer o evento de cariz internacional.
Para a actividade, o escritor  preparou diversos trabalhos sobre a evolução da língua portuguesa desde a sua origem, a inscrição na pedra de Ielala, feita pelos navegadores portugueses, em 1486, a Carta do Rei do Congo, Mbemba a Nzinga (Dom Afonso), ao Papa, escrita em 1500, o Dicionário de Línguas Nacionais-Português, assim como a Bíblias em Línguas Nacionais e provérbios de cada uma das línguas nacionais.
Para o Espaço Leitura, José Luís Mendonça prepara a obra “Trilogia de contos”, a obra “Luuanda”, de Luandino Vieira, “O Pano Preto da Velha Mabunda”, de Jacinto de Lemos, “Sagrada Esperança”, de Agostinho Neto, “Poemas”, de Viriato da Cruz, entre outras obras. Outros atractivos são “Varanda de Leitura”, um espaço aberto ao público, com a participação espontânea dos visitantes e pessoas interessadas em fazer leitura de vários trechos narrativos.


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