Cultura

Diversidade cultural exibida no Carnaval

Manuel Albano

Cor,  alegria e muita diversão foi o que se constatou, ontem ao cair da tarde até a noite na Marginal da Praia do Bispo, no desfile central do Carnaval de Luanda da classe A (adulto), que contou com a presença pela primeira vez de João Lourenço, na condição de Chefe de Estado angolano.

Fotografia: DOMBELE BERNARDO E KINDALA MANUEL | EDIÇÕES NOVEMBRO

Eram precisamente 16h22, quando o Governador da Província de Luanda, Adriano Mendes de Carvalho, com a permissão do Presidente da República, dava as boas vindas e autorizou a abertura daquela que é considerada a maior manifestação cultural entre os angolanos.
Felizmente a tarde não estava tão quente como nos dias anteriores, o que permitiu aos grupos exibirem toda a sua alegria e criatividade.
Na presença da ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, membros do Executivo, da Comissão Preparatória do Carnaval de Luanda e da Associação Provincial do Carnaval de Luanda (Aprocal), o “espectáculo” começou com uma exibição modesta, mas vistosa com o grupo homenageado da 40.ª edição do Entrudo de Luanda, União Jovens da Cacimba, que teve a honra de abrir a festa. A agremiação que este ano levou à Marginal uma ala composta por professores de dança e música kizomba de várias nacionalidades, fez uma retrospectiva dos seus 30 anos de existência.
Para quem pensou que o Carnaval deste ano seria um fracasso, enganou-se. Nem mesmo as dificuldades financeiras dos grupos impediram a dança do Carnaval. O país mobilizou-se e a festa aconteceu. Se a cultura fortalece a Nação como diz um dos slogans do Ministério da Cultura, então todos os que ontem se deslocaram à Marginal da Praia do Bispo, saíram convictos de que a cultura angolana está e continua viva.
Recebidos com fortes aplausos e assobios, e de acordo com a ordem do desfile, os grupos das províncias conseguiram deixar a sua marca com exibições de “encher os olhos”. Entre passos e compassos mostrando a ginga característica dos angolanos, cada um ao seu jeito mostrou a força do seu povo. A curiosidade e satisfação era visível no rosto dos espectadores, que não arredaram pé do local até que a chuva se fez sentir.

Espectáculo a parte
Apesar de não terem participado no desfile competitivo, os grupos Maringas (Lunda-Norte), Tchaco-Tchaco (Cabinda), Ovinjenji (Huambo), União Muteba (Cuanza-Sul) e Bravos da Vitória (Benguela), tiveram direito a 15 minutos de exibição, não deixando os seus créditos em mãos alheias.
Primeiro a desfilar, o grupo Maringas mostrou que nas Lundas não são apenas os diamantes que brilham. Com mais de 80 elementos, mostraram em palco a diversidade cultural daquela região. Dando seguimento, o grupo Tchaco-Tchaco, de Cabinda, apresentou o estilo de música e dança “mayeye” da região dos Bayoyo. O grupo apresentou o ritual “tchicumbe”, realizado na fase em que as mulheres atingem a puberdade e passam pela casa da tinta. A culinária típica de Cabinda também vai estar em evidência no decorrer do desfile.
O grupo “Ovinjenji”, do Huambo apresentou um resumo da história do reino da Chiaca, fundado pelo rei Chilulo Vangue-Vangue, enquanto que o grupo “Ma-ringas”, da Lunda-Norte, abordou aspectos importantes da cultura daquela região, numa simbiose entre a músi-ca, dança e teatro. O Cuanza-Sul, com o grupo União Mute-
ba, homenageou a mulher rural pelo contributo prestado à sociedade.
Por sua vez, os Bravos da Vitória, papão dos títulos de Carnaval, com 26 títulos de primeiro classificado, em 39 participações, rendeu uma homenagem às mulheres angolanas, de uma forma geral.

Euforia na Marginal   
Depois de apresentada a urna onde foram depositados os votos do júri, começou o desfile competitivo com o União Geração Sagrada  a ser o primeiro a desfilar. A dança semba como nas edições anteriores foi a dominante.  O União Geração Sagrada  apresentou a canção: “Ngan-du (jacaré)”, da autoria de Domingas Ferreira e por ela interpretada. A preservação da natureza foi o enfoque do seu enredo.
Depois desfilou o União Operária  Kabocomeu, com a canção “Dúvida”.
Quando a chuva começou a dar sinais, por volta das 18h39, entrou em palco o grupo União Kiela. O grupo Geração do Mar deu sequência ao desfile, apresentando um tema sobre a violência doméstica e contra a criança, enquanto o conjunto Twafundumuka falou sobre a mamã zungueira. Nesta altura a chuva tinha abrandado. Dizem que foi “trabalho” do União Mundo da Ilha.
A sétima posição da or-dem do desfile recaiu para o União Jovens do Mukuaxi, enquanto na oitava ficou o Recreativo do Kilamba. O nono grupo a desfilar foi o União 10 de Dezembro e o décimo o Njinga Mbande, que não terminou a exibição devido à chuva. De uma ma-neira geral, todos os grupos falaram do desenvolvimen-to e a nova fase que o país atravessa. O Njinga Mbande, o Juventude do Kapalanga e o União 54 desfilam no sábado.

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