Don Sebas expõe no Camões


8 de Dezembro, 2015

Fotografia: Paulino Damião

Um total de 20 quadros inéditos de pintura, produzidos em técnicas mistas, e duas instalações da autoria do artista Don Sebas Cassule, está patente até ao dia 24, no Centro Cultural Português, em Luanda, na exposição “A singularidade proverbial do Imbondeiro”.

Nesta exposição, decorridos três anos desde a sua última mostra individual, o artista traz uma reflexão mística sobre o valor do imbondeiro e procura transmitir a importância desta árvore.
O imbondeiro, abordado pelo artista Don Sebas, é um símbolo maior da africanidade, particularmente de Angola. É uma árvore mítica e mística, que alimenta lendas, ritos e provérbios da cultura tradicional angolana.
O imbondeiro tem sido, ao longo dos tempos, uma recorrente fonte de inspiração para poetas, escritores, músicos e muitos artistas plásticos angolanos. Nesta mostra, Don Sebas Cassule faz uma abordagem singular do imbondeiro, num exercício artístico em torno de 20 ângulos da árvore mítica, ligando cada um deles a provérbios angolanos em línguas nacionais.
A propósito da exposição, o crítico de arte Filipe Vidal escreve no catálogo que Don Sebas Cassule brinda os amantes das belas artes com a veracidade do imbondeiro, que nos canta e encanta a um só tempo com a ritualidade da própria vida, mas sobretudo nos encaminha e abre portas ao rito da árvore imbondeiro, um ser altamente respeitado em África.
Mbondo, referiu, é um dos grandes símbolos do continente berço, justamente porque transcendentalmente esta árvore junta imponência, beleza, imponderabilidade e longevidade.
“O imbondeiro simboliza a vida, a fertilidade, a família, a maternidade, a estrutura social inquebrantável. Pois a África de todos os tempos e lugares tem como símbolo a Grande Mãe e também a ponte entre os humanos e os antepassados, entre os humanos e os nkisi, entre os humanos e os orisa. Mbondo é sempre a presença do Orisa Oko, mas também de Yemanjá e pelos frutos brancos da casa de Orisa Nla e pela justiça Sango”, escreve Filipe Vidal.
De acordo com o crítico de arte, em Angola esta árvore é o símbolo da maternidade na sua ascese mais alta, pois ela representa a beleza, a fertilidade, o misticismo e a incomensurabilidade feminina.
Nascido em Camabatela, província do Cuanza Norte, Sebastião Joaquim Ndebela Cassule, de nome artístico Don Sebas Cassule, é desenhador, instalador e artista autodidacta e foi técnico de manutenção aeronáutica. É membro da União Nacional de Artistas Plásticos e da Associação Internacional de Artes Plásticas “L’Aigle de Nice”. Cassule participou em mais de 60 mostras, em Angola e no estrangeiro.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA