"Dossier Leviano" no Alda Lara

Manuel Albano
24 de Março, 2017

Fotografia: DR

O grupo Henrique Artes   exibe no domingo, a partir das 20h00, no auditório do Instituto Médio Politécnico Alda Lara, em Luanda, o espectáculo “Dossier Leviano”, para assinalar o Dia Mundial do Teatro.

Adaptado do livro “Relatório de Hite sobre sexualidade feminina”, da sexóloga e feminista norte-americana Shere Hite, o espectáculo do género comédia, com a duração de 40 minutos, para maiores de 18 anos, foi montado por Flávio Ferrão, director e encenador do grupo.
“Dossier Leviano” segue a visão da autora e a ideia original do livro que se refere ao homem como incumpridor dos direitos humanos, por desrespeito a algumas situações de intimidade feminina, como o orgasmo.
A peça leva à reflexão a abordagem de segredos, receios e tabus que as mulheres enfrentam diariamente a nível da sua vida sexual, bem como propõe também uma meditação para as atitudes dos homens que se distanciam das parceiras depois de atingirem o orgasmo.
A peça é representada apenas por rapazes no papel de ambos os géneros, característica principal do Teatro Kabuki, técnica milenar usada antes da II Guerra Mundial, onde as mulheres que actuavam eram confundidas como prostitutas, o que obrigou os homens a interpretarem personagens dos dois sexos. “O espectáculo está a ser trabalhado ao pormenor para permitir ser o mais fiel a história real do livro e permitir um debate sobre a questão do género e todas as situações ligadas a sexualidade das mulheres”, disse o encenador.
Os actores António Kali, Samory Pereira, José Maria Fernandes, Fausto Vunge e Yuri Guedes usam trajes de mulheres e os seus gestos e a mímica são algumas técnicas para atrair maior atenção do público. A peça tem a direcção de Marisa Octávio, cenografia (Benjamin Ferrão), desenho de luz (António Kali), maquilhagem e cenário (Érica Chissapa).  Flávio Ferrão disse  ao Jornal de Angola, que ao longo desse anos as artes cénicas no país, em particular, o teatro angolano, tem dado mostras de evolução, razão pela qual, os grupos de teatro nacionais, têm sido quase sempre distinguido nos festivais internacionais em que são convidados a participar.
Embora tenha reconhecido, existir muito trabalho por se desenvolver no domínio da representação, o encenador enalteceu de forma “heróica”, a todos aqueles que ao longos de mais de três décadas têm colocado uma pedra na edificação do teatro feito em todo território nacional.
O aumento do número de espectadores nas salas de espectáculo de teatro, de acordo com Flávio Ferrão, já tem correspondido em alguns casos, às expectativas daqueles que se propõe a fazer teatro. “É um processo longo e com alguma paciência, que deve envolver dirigentes e os fazedores do teatro na criação de condições para o desenvolvimento das artes no país”.

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