Cultura

Drama dos nacionalistas adaptado a peça de teatro

Mário Cohen

O drama vivido por um grupo de nacionalistas, a partir de 29 de Março de 1959, que culminou com a sua prisão  foi adaptado ao teatro pelo Colectivo de Artes Pedro Bélgio, que apresentou a peça na quarta-feira,  no Instituto Camões, em Luanda.

Actores do Colectivo de Artes Pedro Bélgio interpretaram “Processo dos 50” no Camões
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

A sala de espectáculos do auditório Pepetela, no Instituto Camões, estava lotada. Iniciativa da Fundação Uanhenga Xitu, em parceira com o Camões-Centro Cultural Português, a peça "Processo dos 50" traduz  o conjunto de três processos políticos que levou à prisão de nacionalistas angolanos no decurso da luta pela independência.
O primeiro processo (Processo n.º 22/59), “Grupo ELA”, é das  primeiras prisões, que datam de 28 de Março de 1959, e que inclui José Manuel Lisboa, Lucrécio da Silva Mangueira,  Agostinho Mendes de Carvalho “Uanhenga Xitu”,  André Mingas, Belarmino Van-Dúnem, José Diogo Ventura e Noé Saúde, enquanto o segundo  processo (Processo n.º 40/59), “MIA”, data de 27 de Maio de 1959, que levou á cadeia Ilídio Machado, Higino Aires, André Franco de Sousa,  Carlos Alberto Van-Dúnem, Luís Rafael, António Marques Monteiro, Miguel Fernandes, Amadeu Amorim, Gabriel Leitão e Liceu Vieira Dias.
O terceiro processo (Processo n.º 47/59), ”MLNA”, leva à prisão, a 14 de Julho de 1959, de Mário Guerra, Hélder Neto, Calazans Duarte e José Meireles.
O espectáculo é uma homenagem a àqueles que lutaram pela Independência de Angola.
Escrita por Pedro Bélgio e Edson Vunge, a peça tem encenação de Edson Vunge, produção de Edson Vunge e Isabel Silva e direcção de Edson Vunge.
A peça narra ainda o desejo de Independência Nacional de enfermeiros, mecânicos, oficiais administrativos, estudantes e poetas, que actuaram na clandestinidade, tanto nos musseques como nas cidades.
A peça destaca os feitos de angolanos que despertaram as consciências dos compatriotas e denunciaram as atrocidades coloniais, apelando à comunidade internacional para se juntar à causa independentista. Denúncias e perseguições aos patriotas resultam em prisões. O início dessas prisões políticas, ocorrido a 29 de Março de 1959, em Luanda, tornou-se num marco histórico na luta pela libertação. 
A exibição da peça começou tarde, mas o espectadores esperaram, pacientemente, para ver como os nacionalistas angolanos foram submetidos às atrocidades da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE).
Job Domingos, Deodeth da Luz, José Mbanza, Silvia Matilde, Augusta da Silva, Florêncio de Sousa, Isabel António, Nicolas Quinta, Cardoso António, Jonas Michel, Sousa Ricardo, António Kapango, Rui Miguel, Ericksom Miguel, Rui Domingos, Albino Baião, Francisco Meck, Miguel Adão, Lourenço Paposseco, Mário Famoroso, Perivaldo di Sara, Jack Bento, Pedro Zito e Ernesto Cardozo são os actores.
O grupo coral Exército de Deus, da Igreja Metodista Unida, juntou-se ao espectáculo e entoou três hinos, e cinco jovens  declamaram poemas.
À margem da exibição da peça, foram vendidos os livros  “Mestre Tamoda", de Uanhenga Xitu, “Poetecidade no Discurso Prosaico de Uanhenga Xitu”, de Akiz Neto e “A Confluência do Tradicional e do Moderno na Obra de Uanhenga Xitu”, de Ana Lúcia Lopes de Sá.

Percurso do grupo
O colectivo de Artes Pedro Bélgio foi criado em 2005, por Abel Miguel Pedro, estudante de Antropologia, educador social e activista, fruto da formação dada pelo grupo Labaredas de Fogo. O colectivo  surgiu para proporcionar instrumentos culturais  aos jovens dos bairros Mártires de Kifangondo,   Cassequel, Prenda, Rocha Pinto, Cassenda e Calemba.

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