Drama “Timbuktu” venceu nos Césares


28 de Fevereiro, 2015

O filme “Timbuktu”, de Abderrahmane Sissako, foi o grande vencedor da 40ª edição dos Césares, conquistando sete dos oito prémios para os quais estava nomeado, incluindo os de melhor filme e realizador.

Centrado numa comunidade do Mali cuja vida quotidiana é abruptamente transformada pela chegada dos jihadistas e a imposição da sharia, com as suas múltiplas proibições e os seus tribunais improvisados, “Timbuktu” não é propriamente um vencedor inesperado numa França ainda na “ressaca” dos atentados ao jornal “Charlie Hebdo”.
O próprio primeiro-ministro francês, Manuel Valls, saudou, através da sua conta no Twitter, o “merecido mérito” deste filme que, sublinhou, “é uma resistência à barbárie”.
No seu discurso de agradecimento, Abderrahmane Sissako afirmou no teatro Châtelet, em Paris, onde decorreu a cerimónia, que “a França é um país magnífico, porque é capaz de se levantar contra o terror, a violência e o obscurantismo”.
O realizador defendeu que “não existe um choque de civilizações, mas antes um encontro destas”. Ausente do palmarés de Cannes, em Maio, e agora triunfante nos prémios Césares, “Timbuktu” foi também um dos candidatos ao Óscar de melhor filme estrangeiro, conquistado este ano por “Ida”.
Além dos prémios principais, melhor filme e realizador, o drama sobre uma família de pastores cuja pacífica existência é perturbada pelo conflito armado que se vive no Mali desde o início de 2012 venceu ainda os prémios Césares para melhor montagem, fotografia, argumento original, banda sonora e música, deixando à concorrência pouco mais do que os prémios de interpretação.
O grande derrotado da noite foi “Saint-Laurent”, biopic do célebre costureiro francês, realizado por Bertrand Bonello, que tinha dez nomeações e conseguiu apenas o prémio César para o melhor guarda-roupa. Mesmo Gaspard Ulliel, que interpreta o costureiro francês no filme de Bonello, viu o prémio para o melhor actor ser atribuído a Pierre Niney, que encarna a mesma figura noutro biopic do estilista desaparecido em 2008, “Yves Saint-Laurent”, de Jalil Lespert.
Apesar de só ter conseguido três dos dez prémios Césares para os quais estava nomeado, “Les Combattants”, de Thomas Cailley, pode ser considerado o mais afortunado dos derrotados, porque o seu cineasta venceu o prémio de melhor primeiro filme, Kévin Aazïs o de melhor actor emergente e Adèle Haenel conseguiu a estatueta de melhor actriz, um feito único num ano em que estavam nomeadas grandes estrelas de várias gerações do cinema francês, como Catherine Deneuve, Juliette Binoche ou Marion Cotillard.

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