Dramas da guerra voltam ao cinema


2 de Julho, 2014

Fotografia: DR

O realizador Roman Polanski disse que quer fazer um filme na Polónia sobre o caso Dreyfus, se tiver garantias de não haver problemas legais, devido a uma condenação por crime sexual apresentada nos Estados Unidos, em 1977.

Polanski, de 80 anos, passou parte da sua infância em Cracóvia, na Polónia, onde pretende voltar a filmar. O realizador disse que fugiu da cidade quando ela foi ocupada pelas forças nazis e a sua mãe morreu no campo de concentração alemão de Auschwitz. Depois da II Guerra Mundial voltou a Cracóvia, de onde emigrou mais tarde.
"Roman Polanski pensa rodar na Polónia um filme sobre o caso Dreyfus”, declarou o seu advogado Jerzy Stachowicz, à Reuters.
Alfred Dreyfus foi um oficial de artilharia francês, de origem judia, que foi condenado por traição devido a acusações falsas provocadas por anti-semitismo. O caso gerou uma cisma na sociedade francesa e mais tarde o militar foi absolvido.
O Instituto de Cinema da Polónia afirmou que Roman Polanski alugou um apartamento em Cracóvia, visitou a cidade e levou a sua família a Auschwitz, que actualmente é sede de um museu.
Numa conferência de imprensa, Robert Benmussa, produtor que trabalhou com Roman Polanski em “O pianista”, de 2002, e foi distinguido com os Óscares de melhor actor, realizador e argumento adaptado, disse que a decisão final sobre o projecto ainda não foi tomada. “Temos de ter a certeza de que a filmagem não vai ser interrompida por motivos legais”, declarou.
Roman Polanski, realizador de clássicos como " Rosemary's Baby" e "Chinatown", declarou-se culpado em 1977 por ter relações sexuais não consensuais com Samantha Geimer, então com 13 anos, durante uma sessão de fotos.
O realizador Roman Polanski cumpriu 42 dias de prisão como parte de um acordo de 90 dias de sentença em 1977 e fugiu dos EUA no ano seguinte, por pensar que o juiz responsável pelo caso podia anular o acordo e ditar uma sentença de anos.
Em 2009, Roman Polanski foi preso na cidade suíça de Zurique, devido a um mandado de prisão, expedido há 31 anos pelos EUA, e posto em prisão domiciliar. O realizador foi libertado em 2010, depois de as autoridades suíças terem decidido não o extraditar para os EUA. Uma porta-voz do Ministério da Justiça da Polónia recusou-se a comentar quando indagada se Roman Polanski ia ser extraditado. Pela lei local, se os Estados Unidos pedissem a sua extradição, um tribunal podia pronunciar-se sobre o caso, apesar do veredicto poder ser alterado pelo ministro da Justiça.
Roman Polanski tem advogados de defesa influentes na Polónia. Questionado sobre o realizador, o ex-presidente da Polónia Lech Walesa disse que não o queria ver preso novamente. "Seria uma pena", comentou.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA