Dya Kasembe eleita presidente da comissão eleitoral da UEA
Francisco Pedro
A escritora Dya Kasembe foi eleita presidente da comissão eleitoral, e o escritor David Mendes vice-presidente, para as eleições dos novos corpos sociais da União dos Escritores Angolanos (UEA).
Escritora Dya Kasembe Fotografia: DR
As candidaturas estão abertas desde sábado (30 de março), e encerram dia 16, de acordo com a decisão dos membros reunidos em assembleia-geral, no final de semana, no auditório da UEA. Três candidatos manifestaram o interesse de disputar ao cargo de secretário-geral. Trata-se de Cristóvão Neto, David Capelenguela e Iola Castro.
Nos últimos dias, os três escritores demonstram a pretensão de concorrerem numa lista única. Iola Castro disse que seria aceitável desde que os três candidatos sejam "transparentes e leais nas negociações", apesar de achar impossível, porque "a deslealdade começa a partir do momento em que este confrade já está comprometido em subscrever outra lista e eu faço-lhe a cabeça para fazê-la na minha, o que eu não faria nunca. Então, tenho receio de trabalhar com pessoas do género".
Referiu que caso se efective a lista única, aceitaria apenas o cargo de secretária-geral, por achar estar bem preparada para exercer o cargo. " Tenho um slogan que consiste no seguinte: 'Não vim para concorrer e sim para ser, seja qual forem as circunstâncias, acredito na vitória'", disse Iola Castro.
A UEA conta com 128 membros vivos e 37 falecidos. A quota é de seis mil kwanzas anuais. Quem não obedece a esse dever perde o direito de voto e de ser votado.
Iola Castro, a primeira mulher com intenção de ocupar a cadeira deixada por Carmo Neto, disse que nunca antes havia sonhando em concorrer ao cargo de secretária-geral da União dos Escritores Angolanos (UEA).
Tudo começou em Setembro de 2018, sentiu que era necessário
fazer mais pela casa que também é dela e começou a dar os primeiros passos. Desde então, antes de pensar em candidatar-se, viu uma UEA com pessoas " muito competentes", por isso, viu que podia ficar cómoda, no seu canto, "porque a união sempre teve pessoas capazes".
Com a mudança dessa visão, Iola Castro formou uma equipa de "escritores maduros" e que há muito acompanham bem perto a arrumação da Casa das Letras, e que deles tem bebido para implementar uma dinâmica o que confira uma certa dignidade à UEA.
A ideia é obter conhecimento sobre a UEA, descobrindo coisas para inovar sempre. A ideia de sua candidatura devia ser oficializada, ou formalizar, hoje , não o fez. "Resolvi esperar mais uns dias para ouvir mais de alguns confrades, visto que tenho até o dia 16 para fazê-lo".
Se for eleita ela tem para oferecer aos associados mais alegria, confiança, e leitura "para melhor nos entendermos e até mesmo suportarmo-nos e ser capaz de ouvir os sonhos ainda que não sejamos capazes de torná-los realidade".
E para os leitores, a ideia é oferecer livros bons, porque a casa "tem de continuar a levá-los a falar dos escritores e das suas obras sempre".
Questionada sobre que contestações faz à direcção cessante, ou o que sugeria para que tivesse rumo diferente, na sua óptica, deve-se, em parte, a falta de acolhimento que o escritor não tem actualmente, "o que fez que muitos de nós nos sentíssemos estranhos ou sem vontade de estar em nossa própria casa", advogando que "existe a necessidade de estarmos verdadeiramente unidos".