Cultura

“É preciso maior atenção aos artistas”

António Gonçalves | Benguela

O vencedor do Variante João Mapito, que representou o Cuando Cubango, na 26ª edição do Festival de Música Popular Angolana, pediu maior atenção para os artistas angolanos, em especial os fazedores de música tradicional.

João Mapito conseguiu conquistar o júri este ano
Fotografia: António Gonaçlves | Edições Novembro

Apesar das inúmeras dificuldades vividas para sair do Cuando Cubango até Benguela, o cantor, que obteve 217 pontos, pelo tema “Kumana Unazala” espera, a partir de agora, maior apoio da organização quanto a viagem dos representantes. “Muitos passam por dificuldades para poderem representar condignamente as províncias de origem.”
O artista, que aproveitou a ocasião para anunciar a participação na próxima edição, em 2020, disse que tem explorado muito as músicas típicas de algumas regiões do Moxico, terra onde nasceu, em especial da região dos Bundas. 
A residir actualmente no Cuando Cubango, João Mapito adiantou que pretende continuar a carreira artística, com enfoque às músicas populares angolanas, por ser uma forma de elevar a cultura e ritmos de determinadas regiões do país, muito pouco divulgadas. “O festival é uma oportunidade de promover mais estas tradições. Por isso deve ter mais apoio, pois são aspectos fundamentais da identidade divulgados através da música”, destacou o cantor, que nasceu em Cangamba, Moxico, mas teve de mudar para o Cuando Cubango devido a guerra. 
Na gala, realizada sábado, em Benguela, o júri, presidido por Ezequiel Afonso, distinguiu, ainda, com o segundo lugar a candidata de Luanda, Ruth Silva, a quem atribuiu 203 pontos, e com o terceiro a representante da Lunda-Sul, Dina Alberto, pelos 190 pontos conquistados.
O presidente do júri, Ezequiel Afonso, esclareceu que tiveram em conta, principalmente, a questão da voz e a presença em palco. “As aparentes desafinações notadas enquanto os concorrentes desfilavam foram cruciais para alguns”, disse, acrescentando que o jurado tem em conta a essência de certos ritmos na avaliação final.
O Variante, que nesta edição homenageou a dança chitita, enquanto matriz cultural da região centro e sul do país, mostrou ser a combinação de ritmos do cancioneiro nacional. Além do concurso, este ano, a organização realizou uma Feira de Artefactos Culturais.

A gala

O festival, previsto para iniciar às 20 horas, teve um atraso de duas horas, por motivos não esclarecidos pela organização, mas sem criar constrangimentos ao desfile dos concorrentes, aberto pelo representante do Bengo, Miguel Bote. Este ano, a cerimónia foi dividida em duas, uma para os concorrentes e outra reservada aos músicos convidados. O homenageado foi o cantor Joaquim Viola, a título póstumo, cuja canção que o imortalizou, “Tchiungue”, foi interpretada por Sabino Henda, num dueto com Valter Ananás.
Um dos pontos altos do festival foi a actuação da candidata da Huíla, Primícia Njamba, que apresentou uma fusão de kilapanga com tchianda, muito aplaudida pela plateia, tanto quanto Dina Alberto quando interpretou um tema no género tchianda, evidenciando a actual aceitação dos estilos de música e dança do leste de Angola. Os músicos convidados ajudaram a dar “outro toque” ao Variante deste ano, com Moniz de Almeida, Duo Canhoto, Edna Mateia, Didi e Flay, acompanhados pela Banda FM, a justificarem a escolha da organização.

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