“Ecce Homo” ainda é um fenómeno


20 de Agosto, 2014

Fotografia: Reuters

A singular restauração do quadro “Ecce Homo”, de Borja, que há dois anos deu a volta ao mundo, continua a ser um fenómeno mundial, a ser descrito numa ópera nos EUA, num filme em Espanha e num recente vídeo musical no qual a sua autora actua.

A polémica começou em Agosto de 2012, quando Cecília Giménez colocou o município no mapa devido aos retoques que fez neste mural do começo do século XX do artista aragonês Elías García Martínez, que ficou deformado.
A notícia da tentativa de restauração não demorou a espalhar-se pelas redes sociais e os meios de comunicação mundial repercutiram o facto.
Assim, o “Ecce Homo” de Borja transformou-se em pouco tempo num fenómeno na Internet, onde se propagaram as brincadeiras e fotomontagens, denominadas “memes”, comparando o “Ecce Homo” com todo o tipo de celebridades ou com pinturas famosas como a Mona Lisa, de Da Vinci.
A dimensão da notícia foi tal que, com a repercussão na Media internacional, Cecília Giménez, que hoje tem 83 anos, sofreu um ataque de ansiedade.
Cecília Giménez conta, agora que passaram dois anos, à Agência de notícias Efe que está a lidar bem com a fama e protagonizou, recentemente, o vídeo musical da canção “Ecce Homo”, da autoria do cantor Ángel Petisme. “Durante a filmagem senti-me muito cómoda e foi uma experiência muito bonita”, assegurou.
Longe de se esvanecer, o fenómeno do “Ecce Homo” continua ainda vivo, já que, além das camisolas, rótulos de garrafas de vinho e aplicativos para celular, a polémica restauração vai ser o destaque, em breve, de uma ópera nos Estados Unidos e também pode ser vista como uma das cenas de um filme do realizador e actor espanhol Santiago Segura.
Devido a esse sucesso mundial, Cecília Giménez, que no começo passou “mal”, desfruta agora “do apoio das pessoas” e disse estar “muito contente” que o seu trabalho tenha servido para que “elas conheçam Borja e o Santuário da Misericórdia”.
Nestes dois anos passaram por este local mais de 140 mil visitantes de todos os pontos do planeta para conhecer a pintura e a sua restauradora. “Muitos deles procuram-me em casa para tirar uma foto”, destacou. O sucesso levou ainda a Associação de Moradores do Santuário da Misericórdia de Borja a aproveitar a situação para criar o primeiro Museu Internacional do Ecce Homo, que tem actualmente 26 pinturas inéditas sobre esta obra, de autores de diferentes países.
Cecília Giménez disse que não obtém nenhum tipo de renda com as visitas realizadas para ver o “Ecce Homo” porque as verbas arrecadadas estão destinadas a vários projectos beneficentes. “No final as coisas saíram bem para todos e até mesmo o município foi favorecido. Só posso estar muito satisfeita”, justificou.
Na opinião da octogenária, se alguém tivesse tentado fazer algo similar para atrair turistas a Borja “não tinha conseguido”, já que “foi ao acaso e o destino ‘atribui’ a responsabilidade a mim”.
Neste sentido, o responsável do município, Miguel Arilla, disse à Efe que a “restauração” favoreceu Borja, já que aumentou a afluência de visitantes e teve repercussão positiva na economia local, além de ter ajudado a divulgar “o património cultural e artístico da cidade ao mundo”.
“É um sucesso que o município quer continuar a explorar já que as Adegas Aragonesas vão lançar, no seu segundo aniversário, uma promoção especial na qual aparece a imagem do ‘Ecce Homo’ ‘restaurado’ nos rótulos das garrafas de vinho”, rematou.

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