Cultura

Editores e livreiros lutam para sobreviver

Mário Cohen

Ao que se concluiu no encontro dos editores e livreiros profissionais, uma das principais limitações da AELA é a sua incerta legitimidade jurídica. A clarificação dessa questão é fundamental, pois desse modo terá a dignidade de representar os associados junto do Executivo e, mais concretamente, do departamento ministerial da Cultura.

Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

Para Jacques dos Santos, um dos principais mentores do projecto de redinamização da AELA, esta associação deve estar representada nas comissões criadas pelo Executivo para rever a política do livro e da leitura.

Mas para que isso seja possível, defende Jacques dos Santos, é preciso criar uma estrutura em que a AELA possa funcionar em pleno. Daí a importância da reunião da passada segunda-feira, que acabou por marcar um único caminho: a reactivação da Associação dos Editores e Livreiros de Angola.

Na reunião foram estudadas várias situações e criada uma comissão, composta por um integrante da Chá de Caxinde, da AELA e um editor independente,  que vão proceder a um levantamento para se saber se os antigos corpos sociais da associação estão disponíveis ou não a dirigir o órgão.

O responsável da Chá de Caxinde acrescentou que caso os antigos corpos sociais não estejam em condições de dirigir o barco, vai ser elaborada uma lista de novos candidatos para a eleição de novos dirigentes, para que a AELA possa ter a necessária legitimidade.

Face aos novos ares que o país vive, caracterizados por uma nova realidade política que exige da sociedade soluções para os problemas que enfermam os diversos sectores, a associação de livreiros e editores, segundo Jacques dos Santos, “não pode continuar nula”. 

E um dos problemas a que a AELA é chamada a comparticipar na solução é, nomeadamente, o elevado número de cidadãos nacionais distante dos hábitos de leitura e, consequentemente, do saber aos mais diversos níveis, o que, no dizer de Jacques dos Santos, aponta para um indicador negativo do processo de desenvolvimento do país. “Há muito trabalho pela frente”, segundo o responsável da Chá de Caxinde. Resta ainda saber, por exemplo, na óptica de Jacques dos Santos, o que é que o Executivo pretende com a política do livro, se vai subvencionar ou não o livro. Caberá ainda à AELA apresentar uma proposta aos ministérios da Cultura e da Educação “para que o livro seja mais barato para o consumidor”.

 

Atacar o problema

Os responsáveis de editoras e os livreiros concluíram que o pagamento de quotas pelos seus associados vai contribuir muito para o funcionamento da associação. “A reunião foi prática porque encontramos soluções para ver a associação a ressurgir, ao invés de perdermos tempo com conversas que fogem da realidade da AELA”, disse Jacques dos Santos, que acrescentou: “os homens quando se reúnem para resolver um determinado assunto devem atacar o problema que os fez sentarem-se à mesma mesa, a fim de verem o assunto resolvido”.

O veterano líder associativista mostrou-se mesmo optimista: “é chegada a hora dos empresários do sector livreiro marcarem presença no processo de revitalização da nossa economia. Foi bom unir esforços para dar vida à AELA, que afinal pretende o mesmo que o Executivo: ver a sociedade angolana, principalmente a camada jovem, a criar o hábito pela leitura, embora se reconheça que o livro em Angola ainda é caro”.

Jacques dos Santos salientou também a importância das feiras do livro, mas é de opinião que elas não devem ser realizadas com base no empirismo e no mero voluntarismo deste ou daquele. “Por exemplo, cada um resolve fazer a sua feira. A Chá de Caxinde faz a sua e a Kilombelombe lembra-se de fazer também a sua. Isto não pode ser. Tem de haver disciplina. O que tem havido é que cada um (sejam editores ou livreiros) quer puxar a brasa para a sua sardinha”.

Uma coisa é mais do que certa: a reactivação da AELA vai contribuir para estabelecer uma nova dinâmica no movimento editorial e ajudar as autoridades do Estado a não perderem o foco dos esforços com vista a tornar o livro mais acessível ao cidadão.


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