Elinga Teatro encena peça de Nelson Rodrigues

António Bequengue |
7 de Setembro, 2016

Fotografia: Eduardo Pedro

O abuso da mistura de elementos dramáticos, temáticos e poéticos é a proposta cénica que o grupo Elinga estreia no próximo dia 22, às 20h00, no palco do Oi Futuro Flamengo, no Rio de Janeiro.

Na oitava edição do Festival Internacional de Teatro da Língua Portuguesa (Festlip), que se realiza de 21 de Setembro à 2 de Outubro.
A companhia angolana leva para o Festlip deste ano a primeira peça de Nelson Rodrigues, “A mulher sem pecado”, um espectáculo que abusa da mescla de factores dramáticos, temático e poéticos através da história de Olegário, marido extremamente ciumento e inseguro e sua bela e jovem esposa Lídia.
Através de uma falsa dicotomia, o dramaturgo José Mena Abrantes passeia pelo enredo do trágico quotidiano do casal, que é cercado de paranóias de Olegário, que passa a contratar pessoas para vigiar a esposa a todo instante.
Com autoria de Nelson Rodrigues, o homenageado deste edição do Festlip, e o direcção, adaptação e cenografia de José Mena Abrantes, o espectáculo, que é igualmente exibido nos dias 23 de Setembro, às 20h00, no Oi Futuro Flamengo, e 24, às 19h30, no Teatro Sesi Centro, tem como elenco os actores Correia Adão, Nzadi, Adorado Mara, Virgílio Capomba, Cláudia Púcuta, Honório Santos, Madaleno Fonseca, DethMukinda e Nani Pereira, que também é responsável pelo figurino, e Anastácio Silva, iluminação. O Elinga Teatro, criado em 1988, como continuidade dos grupos Tchinganj, Xilenga-Teatro e Grupo de Teatro da Faculdade de Medicina de Luanda, tem como objectivo o resgate e a promoção da cultura angolana. A companhia cria uma linha estética e de conteúdo para o desenvolvimento teatral há mais de 40 anos. Já estiveram presentes em países como Moçambique, Cabo Verde, Portugal, Espanha e Itália. Na Mostra de Teatro, o universo rodrigueano é apresentado de três maneiras distintas na visão para além do grupo Elinga de Angola, pelas  de companhias Raiz di Polon, de Cabo Verde, e Teatro da Garagem, de Portugal.
O grupo Raiz di Polon faz uma leitura original de Nelson Rodrigues ao transpor para o universo da dança sua última peça, “A serpente”. E a companhia portuguesa Teatro da Garagem, do director Carlos J. Pessoa, escolheu reverenciar a obra do dramaturgo com um espectáculo inédito. A vida como ela é foi criado a partir das suas crónicas pela encenadora e actriz portuguesa Maria João Vicente, que também ministra a tradicional oficina para os actores participantes do Festlip, no Oi Futuro Flamengo.
“O Festlip 2016 nos permite uma aproximação mais íntima da nossa cultura com o mundo, já que a dramaturgia de Nelson retrata, sem pudor, temas tão polémicos numa sociedade. É com essa espontaneidade e liberdade que a arte nos permite tocar em questões delicadas e comuns a todos. Permitir esse contacto é uma forma de desvendarmos como países de culturas tão diversificadas encaram uma obra tão brasileira e ao mesmo tempo universal quanto a dele”, resume a actriz e produtora Tânia Pires, idealizadora do festival, que contabiliza desde a sua primeira edição um público de quase 280 mil pessoas.
Pela primeira vez, o Festlip inclui na sua programação uma mostra de cinema, com a exibição de quatro clássicos brasileiros sobre a obra de Nelson Rodrigues, em parceria o REcine - Festival Internacional de Cinema de Arquivo. “O casamento” (Arnaldo Jabor), “A dama do lotação” (Neville D’Almeida), “Bonitinha mas ordinária” (Braz Chediak) e “Mulheres e milhões” (Jorge Ileli) são exibidos na Cinemateca do MAM.
Para analisar o impacto e a força da dramaturgia rodrigueana, três convidados - todos homens -, que de alguma forma já foram tocados por ela, se reúnem na mesa de debates Bonitinhos mas ordinários - os amantes de Nelson. Neville D’Almeida, Paulo de Moraes e Sérgio Sá Leitão falam com mediação de Hernanni Heffner, no Oi Futuro Flamengo.

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