Emirados Árabes Unidos travam ''Êxodo''


5 de Janeiro, 2015

O filme “Êxodo: Deuses e Reis” não é exibido também nas salas de cinema dos Emirados Árabes Unidos, depois de ter sido proibido em Marrocos e Egipto, devido a “erros históricos e religiosos”.

O novo filme de Ridley Scott, um fresco bíblico sobre a longa jornada de Moisés e do povo judeu através do Egipto, fica assim interditado em mais um país árabe. “O filme nega que Moisés seja um profeta e redu-lo ao estatuto de um pregador pela paz”, justificou o director do National Media Council dos Emirados Árabes Unidos, Juma Obaid al-Leem, citado pela AFP, acrescentando que “a narrativa contraria a versão dos factos inscritos na Bíblia”.
Os Emirados Árabes Unidos são o terceiro país a proibir a projecção de “Êxodo”, uma produção que custou mais de 140 milhões de dólares, mas que rendeu já cerca de um sexto desse montante só no primeiro fim-de-semana de exibição nos Estados Unidos.
Embora seja um fenómeno relativamente raro nos Emirados Árabes Unidos, a interdição de um filme está prevista na lei, nomeadamente nos casos em que haja ofensa à religião oficial do país, o islamismo. Esse é, de resto, um dos argumentos usados pelo National Media Council para defender a decisão agora tomada. “Não permitimos a distorção das religiões. Quando se trata de filmes históricos ou religiosos, estamos atentos ao relato, que deve ser correcto, e temos o cuidado de impedir que as imagens possam ferir os sentimentos de terceiros”, sublinhou al-Leem, dizendo que “Êxodo” viola um dos mandamentos mais irrevogáveis da religião muçulmana, que proíbe expressamente a representação de Deus.
“É perfeitamente normal que exprimamos as nossas reservas sobre um filme em cada mil”, disse ainda o responsável, desvalorizando o impacto mediático deste acto de censura num país em que a esmagadora maioria da população (mais de 90 por cento dos habitantes são expatriados) não tem qualquer vínculo com a religião muçulmana.
Razões semelhantes foram invocadas no Egipto, onde o ministro da Cultura, Gaber Asfour, convocou uma conferência de imprensa, no mês de Dezembro, para informar que a comissão especial encarregue de aprovar a exibição do filme tinha decidido, unanimemente, pela sua interdição.  Gaber Asfour, que presidiu aos trabalhos da comissão (composta, entre outros elementos, pelo director dos serviços de censura egípcios e por historiadores), alegou que o filme de Ridley Scott “faz de Moisés e dos judeus os construtores de pirâmides, contrariando a investigação histórica”. “É um filme sionista por excelência. Apresenta os factos de um ponto de vista sionista e contém uma falsificação da história”, disse à AFP.
A comissão especial que avaliou o filme censurou particularmente a cena da divisão do Mar Vermelho: “No filme, Moisés tem uma espada e não um bastão. Além disso, a divisão das águas é atribuída a um fenómeno natural de avanço e recuo das marés”, criticou Mohamed Afifi, chefe do Conselho Supremo para Cultura.
Dias antes, em Marrocos, as salas de cinema de todo o país receberam indicações orais para desprogramar a exibição de “Êxodo”, cuja estreia estava prevista para 24 de Dezembro, na sequência de uma decisão unânime de uma comissão de apreciação de filmes do género.
 Tal como nos Emirados Árabes Unidos, a violação dos preceitos islâmicos foi a razão invocada. “Ridley Scott representa Deus na figura de uma criança, no momento da revelação divina feita a Moisés. Essa representação física é um erro.”

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