Cultura

Encenador Mena Abrantes pretende dar aulas de teatro

Manuel Albano |

O dramaturgo e encenador José Mena Abrantes perspectiva dedicar-se à docência, depois de cessar as funções de consultor do Presidente da República para Assuntos de Cultura e Ciência, nos próximos meses.

Peça “A mesa” escrita pelo dramaturgo José Mena Abrantes que perspectiva seguir uma carreira de docente
Fotografia: Contreiras Pipa | Edições Novembro

O escritor, poeta, jornalista e director do Elinga Teatro, pretende partilhar os conhecimentos adquiridos ao longo de várias décadas no campo das artes cénicas, em particular, no teatro.
Formado em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,  José Mena Abrantes manifestou a sua  intenção à margem da segunda edição do Circuito Internacional de Teatro, que decorreu, no Camões-Centro Cultural Português, em Luanda, e que lhe prestou  a homenagem “50 anos de Mena”.
José Mena Abrantes disse que tem recebido vários convites para dar aulas, até ao momento não respondeu por causa das suas ocupações, o que o obriga a declinar as inúmeras propostas para a docência.
Embora tenha atigido já a idade da reforma, “ainda me sinto capaz de transmitir todo o conhecimento adquirido ao longo dos anos e deixar um legado positivo às futuras gerações”, disse Mena Abrantes que não especificou a data em que vai começar a sua nova etapa como professor. O Instituto Superior de Artes (ISARTES) é apontado como uma das instituições onde o dramaturgo pode leccionar.
Para o director municipal da Cultura e Turismo da Cidade de Luanda, Manuel Gonçalves, José Mena Abrantes tem perfil e conhecimentos suficientes, tanto académico, quanto prático, o que o diferencia de muitos docentes no domínio das artes cénicas no país.
Manuel Gonçalves afirmou que, se Mena Abrantes for docente do ISARTES, a instituição “sai a ganhar, por permitir melhorar a qualidade do ensino”, reforçando o quadro dos docentes.
Na  opinião de Manuel Gonçalves, Mena Abrantes ensina como sabe fazer, fruto dos longos anos de dedicação pelo Elinga Teatro.
Natural de Malanje, onde fez os estudos primários, José Mena Abrantes concluiu o ensino secundário em Luanda. Depois da licenciatura, em Lisboa, frequentou o curso de Dramaturgia na Alemanha.
Em Portugal estabeleceu os primeiros contactos com o teatro, que viria a ocupar um espaço predominante na sua vida, primeiro como actor e, posteriormente, como dramaturgo, encenador, director e ensaísta. />Tem participado com regularidade em Festivais Internacionais de Teatro em vários países de África, Europa e América, como autor, encenador e director. Como jornalista, tem colaborado com vários órgãos de comunicação social angolanos, portugueses, moçambicanos e franceses.
É assessor do Presidente da República há trinta anos.  Detentor de uma vasta e diversificada obra literária, cerca de trinta obras publicadas. Foi distinguido  com vários prémios, entre os quais três edições do Prémio Sonangol de Literatura e Prémio Nacional de Cultura e Artes, na modalidade de Literatura, em 2012.

  Exposição “Desrumos - vidas paralelas”

Está patente desde segunda-feira até ao dia 20  do corrente mês, no Camões - Centro Cultural Português a primeira exposição individual de pintura de José Mena Abrantes, denominada “Desrumos - Vidas Paralelas”.
Com esse trabalho ousado, o pintor deu a conhecer ao público mais uma faceta da sua criação multidisciplinar. A exposição comporta 81 quadros, com destaque para “Criação do homem I, II, III e IV”, “Espelho meu”, “Celebração”, “Mulher felina”, “Menino soldado”, “Presença ancestral”, “Copo de água”, “Auto-retrato” e “Fio dental”.
José Mena Abrantes explicou que é o resultado de vários anos de trabalho de observação da vida, em todos os lugares, e esteve sempre presente o “vício de desenhar, o único que me devolve aquela boa sensação de não ter de fazer nada na vida, motivo por que achei também ser capaz de pintar”.
A directora do Camões, Teresa Mateus, elogiou a iniciativa dos organizadores, e definiu Mena Abrantes como humanista invulgar munido de afectos.
O director do CIT, Adérito Rodrigues “BI”, destacou o facto de a primeira edição do festival ter permitido a internacionalização de vários grupos, e permitiu criar parcerias públicas e privadas.

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