Encenadores querem apoios e programas

Manuel Albano |
27 de Março, 2016

Fotografia: Kindala Manuel |

O reforço do papel dos agentes culturais na promoção das artes, em especial do teatro, é, para o encenador Beto Cassua, uma das apostas chaves à expansão do teatro angolano.

O encenador do Etu Lene disse, ontem, ao Jornal de Angola, que a regularidade com que o teatro é feito actualmente precisa de um maior apoio, para os grupos mais novos tenham possibilidades de vingar no mercado.
Para o encenador, o trabalho dos agentes culturais tem se limitado mais a artes como a música. Porém, defendeu, é preciso que estes ajudem a massificar o também o teatro. “Os grupos têm feito a sua própria promoção. A maioria não têm um agente que ajude a divulgar o seu trabalho. É um quadro a ser invertido o mais rápido possível”, disse.
Beto Cassua, que reconheceu o apoio de algumas entidades colectivas e particulares, como o Governo da Província de Luanda, aos grupos da capital, considera decisivo existir uma parceria mais forte com as escolas e centros culturais. “É preciso termos mais espaço para actuar e estes locais são propícios pelo número de pessoas que a eles afluem.”
Em média, disse o encenador, são gastos 50 mil kwanzas para o aluguer de uma sala de espectáculos de referência em Luanda. “Quando houver  redução do custo do aluguer desses locais e políticas mais atractivas para os agentes culturais, os grupos e o público vão ser os principais beneficiários”, justificou Beto Cassua.

Programas atractivos

A criação de mais políticas culturais, de programas de desenvolvimento das artes mais atractivos, de um fundo de apoio financeiro e de salas de espectáculo, são, na opinião do encenador do Enigma, as melhores soluções para o teatro angolano.
Tony Frampenio adiantou que a criação de mais políticas culturais e o surgimento de programas de arte atractivos seriam fundamental para despertar o interesse dos jovens talentos para as artes. “O teatro angolano tem muita qualidade, tanto do ponto de vista técnico como do conteúdo, mas ainda são precisos novos exploradores. Estes projectos ajudariam a aproximar os jovens das artes.”
O encenador pediu  um maior envolvimento dos empresários, que podem ser um incentivo na criação de um movimento artístico mais dinâmico e participativo. O projecto “Cultura para Todos”, desenvolvido pela Companhia Pitabel, com apoio da Administração da Centralidade do Kilamba, é um exemplo de iniciativas boas para o teatro, por contribuir também na formação dos actores e aproximar as artes cénicas das crianças. Os projectos que ajudam a aproximar mais as crianças do teatro são os prioritários, para Tony Frampenio. “É preciso também incentivar a criatividade dos encenadores e os pedir para apostarem nos espectáculos que ajudem a salvaguardar e divulgar a cultura e a tradição nacional”, adiantou.

Salas adequadas

A falta de salas adequadas é, para o encenador do Nguizane Tuxicane, um entrave na divulgação do teatro angolano, assim como ao surgimento de novos grupos. Agostinho Cassoma considera lamentável os grupos terem de fazer adaptações, nos palcos existentes, para actuarem. “É um problema a ser superado. Outro facto de louvar é o trabalho do Executivo no aumento do número de escolas de artes e na formação dos artistas”.

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