Encontrada ossadas de Miguel de Cervantes


20 de Março, 2015

Fotografia: Reuters

As ossadas de Miguel de Cervantes e os da sua esposa, Catalina de Salazar, foram encontradas com as de outras 15 pessoas na cripta do Convento das Trinitárias Descalças, em Madrid, disseram os investigadores.


A Agência Efe já tinha noticiado a descoberta das ossadas de Cervantes e da esposa, cujos detalhes foram revelados pelos especialistas numa conferência de imprensa que contou com a presença de Ana Botella, presidente da administração municipal de Madrid, que considerou a descoberta um contributo para a história e cultura de Espanha.
A notícia encerra o resultado de uma pesquisa que começou há dez meses para localizar o lugar exacto do convento onde estava o autor de “Dom Quixote”.
De acordo com o especialista Francisco Etxebarria, é “impossível” comprovar pelo ADN quais são as ossadas de Cervantes entre todas as localizadas na cripta, já que estão “muito fragmentadas”. Além disso, destacam, existe outro entrave: o autor não teve filhos e a única parente sepultada num lugar conhecido é a sua irmã, cujos restos estão num ossário comum em Alcalá de Henares, nos arredores de Madrid.
A descoberta inclui restos de 17 corpos, que foram enterrados entre 1612 e 1630 no Convento das Trinitárias, antes localizado num lugar diferente do actual e que foram levados para a cripta entre 1698 e 1730, no momento em que as obras de construção do convento terminaram.
A antropóloga Almudena Garcia Cid disse que existem possadas de pelo menos cinco crianças e dez adultos. “Os corpos estavam no subsolo e apareceram junto a uma moeda de 16 maravedis de Felipe IV e alguns objectos litúrgicos, que permitiram datá-los no século XVII”, afirmou.
A pesquisa, liderada por Luís Avial e Francisco Etxebarria, custou 124 mil euros e recebeu o apoio da Administração Municipal de Madrid. Sobre o destino dos restos do escritor e a possibilidade de serem expostos ao público, o historiador Francisco José Marín Perellón afirmou que a decisão não cabe ao governo local e deixou-a nas mãos do Convento das Trinitárias Descalças e da Real Academia Espanhola, da qual o edifício é propriedade.
O achado coincide com a comemoração dos 400 anos da publicação da segunda parte de “Dom Quixote”, que precede a celebração em 2016 do quarto centenário da morte do mais famoso escritor espanhol.

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