Cultura

Encontro sobre Carnaval junta estudiosos e interessados

Jomo Fortunato

O “Encontro de Carnaval”, marcado para quinta-feira, no Espaço Verde Caxinde, é o resultado de um ciclo de conferências sobre o Entrudo, realizado pela Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde, no decorrer de 2018.

Um estudo de caso do União Operário Kabocomeu vai estar no centro das atenções do encontro
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

No encontro, que se pretende inclusivo e sem preconceitos, estarão em discussão vários temas sobre o estado actual da produção do carnaval e será apresentado, em destaque, um estudo de caso do grupo “União Operário Kabocomeu”.
A iniciativa da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde, fundada em 1989, em parceria com a Fundação Dr. António Agostinho Neto, ocorre na senda de um conjunto de intenções de interessados e entusiastas, visando a melhoria do estado actual do Carnaval, para que hajam mudanças estruturais na sua estética e organização, num processo que deve engajar, governos provinciais, representantes dos grupos e dos blocos de animação, Comissão Nacional Preparatória, Associações Culturais e todos os intervenientes na realização do Carnaval.
De facto, é possível reorganizar a estrutura interna dos grupos, discutir as formas de financiamento, preparar o júri com seminários, criar e rentabilizar as sedes dos grupos, caso existam, transformar os grupos em associações, realizar eleições e potenciar o estatuto da Associação Provincial do Carnaval de Luanda (APROCAL).
Sabe-se que ao longo das várias edições do Carnaval, têm sido preocupantes, a forma de apresentação dos grupos, a indefinição do número de foliões das falanges de apoio, a criação de um prémio para os grupos que permanecem mais tempo nas ruas das cidades. Factos que podem ser abordados no “Encontro de Carnaval”.
A dimensão nacional do carnaval, reclama o surgimento de mais associações do carnaval nas Províncias, e pode-se documentar, em vídeo, ou em outros suportes de registo digital, a história do Carnaval, criando estratégias de transformar o Carnaval em verdadeiro produto turístico.
Para o “Encontro de Carnaval” de quinta-feira a Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde convidou, representantes dos grupos de carnaval e da Associação Provincial do Carnaval de Luanda (APROCAL), investigadores, promotores, agentes e empresas culturais.

Estudo
Um dos pontos altos do encontro, será a apresentação de um estudo de caso, inédito, do grupo “União Operário Kabocomeu”. Grupo referencial da história do Carnaval de Luanda e vencedor da primeira edição do Carnaval pós-independência, em 1978, a União Operário “Kabocomeu” foi fundado no dia 2 de Janeiro de 1952, em Luanda, pelo bailarino Joaquim António, o carismático, “Desliza”, operário de construção civil que trabalhou nos armazéns da firma, “Diogo e Companhia”, na época colonial. As canções “João Domingos Yó” e “Makudié”, temas clássicos e representativos do Carnaval de Luanda, são da autoria do grande “Desliza”, seu eterno e valorizado comandante. No entanto, outros nomes marcaram a vida, a história e a magnitude da obra da União Operário “Kabocomeu”, Joaquim Júnior, vocalista principal, Eugénio Filipe, Vice-comandante, Adão Índio, José Manuel, Dikanza, Zindoca, Antoninho, Antonica, Manuel Kilenge, Dafuba, Carlos Gouveia, Francisco Avelino, Aguenta Homem, Francisca Marcolino, Zita, Adão Alexandre e Santa Adelina, foliões que fizeram história no grupo.
No União Operário “Kabocomeu”, os bailarinos trajam-se de forma variada, contudo é comum vestirem calças listadas, casacos pretos ornamentados com espelhos e outros sortilégios coloridos, muitas vezes representando a hierarquia do exército. Os dançarinos cobrem os rostos com máscaras de animais, principalmente de porco, enquanto as mulheres vestem-se de panos estampados. Complementa a indumentária o cinturão vermelho, botas, geralmente pretas, tendo as mãos cobertas com luvas brancas. O “Kabocomeu” exibe guarda-chuvas na mão esquerda, sua marca distintiva, empunhando bengalas e martelos. Adereços retomados, numa clara influência, por outros grupos.

Temas
O primeiro tema em debate, “Estudo de caso, União Operário Kabocomeu”, com moderação de Filomena Pestana, terá como apresentadores, Eugénio Coelho e Tony Frampénio, seguido de um momento cultural com o grupo “União Cassules do Kazukuta do Sambizanga”. O segundo painel, moderado por Agnela Barros, vai discutir o tema “Fontes de financiamento do carnaval”, que será apresentado por Aguinaldo Cristóvão. Depois de um outro momento cultural, Luísa Fançony da LAC, Luanda Antena Comercial e membro da organização, vai apresentar as conclusões.

Depoimento
António Monteiro, Bambino, Presidente da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde, fez o seguinte depoimento sobre a acção cultural da sua agremiação, “ Ter cultura é ter contacto com a história, leitura, artes e música, assim tem sido a nossa intervenção, em sociedade. Para este mandato, as nossas linhas de força, cingem-se à nossa intervenção na promoção dos hábitos de leitura, ou seja, promoção e edição de títulos bibliográficos, realização de feiras do livro, que acontece sob o lema “ler é uma festa”, realização de debates atractivos e participativos, sobre vários temas da actualidade. Fazem ainda parte dos nossos projectos, a promoção de novos valores no domínio da música, no Espaço Verde Caxinde, incluindo a criação e manutenção do núcleo juvenil, que tem desempenhado um papel activo, com sucesso assinalável, no combate à delinquência juvenil. Temos uma escola de dança, e, porque respeitamos o envelhecimento, criamos o Grupo Sénior Caxinde que desenvolve actividades com sócios e amigos, entre os cinquenta e oitenta e cinco anos”.

Tempo

Multimédia