Escola Beija-Flor o grande vencedor


20 de Fevereiro, 2015

Fotografia: Reuters

A Beija-Flor de Nilópolis, com seu enredo de exaltação da cultura e da alma africana, venceu o Carnaval do Rio de Janeiro. A Guiné Equatorial foi o país homenageado no desfile.


Terceira escola a entrar na Marquês de Sapucaí na segunda-feira, segunda noite do Grupo Especial do Rio, a azul-e-branca da Baixada Fluminense conquistou na quarta-feira o seu 13º título, com apenas um décimo perdido no apuramento.
“Sentimento é de dever cumprido”, comemorou o intérprete Neguinho da Beija-Flor, com muita euforia momentos depois do anúncio da classificação.
Na quadra lotada, com gritos de “A campeã voltou”, os adeptos comemoraram o título que não era conquistado desde 2011. Os outros campeonatos vencidos foram em 1763, 1977, 1978, 1980, 1983, 1998, 2003, 2004, 2005, 2007 e 2008.
Laíla, director da comissão de Carnaval da Beija-Flor, desabafou, aos prantos: “Procuramos sempre fazer o melhor para a escola de samba. Eu amo a minha escola”.
A seis escolas melhor classificadas voltam a avenida Marquês de Sapucaí amanhã, a partir das 21h30, para o Desfile das Campeãs. A ordem é inversa à da colocação. A sexta colocada, Imperatriz, abre a festa, seguida de Portela (5ª), Unidos da Tijuca (4ª), Grande Rio (3ª) e Salgueiro (2ª), fechando com a campeã Beija-Flor.

O desfile da Beija-Flor

A escola Beija-Flor mostrou o enredo: “Um cantor conta a história: um olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos sobre a trilha da nossa felicidade”. A exaltação da cultura e da alma africana já havia dado à escola azul e branca da Baixada Fluminense vários títulos, que no total facturou 12 títulos no Carnaval carioca. 
Em 2015, a Beija-Flor voltou a abusar do luxo e da tradição. Foram poucas as inovações ou os recursos tecnológicos. A aposta maior foi na perfeição técnica e no empolgamento dos integrantes, que na avenida esqueceram o sétimo lugar de 2014 para voltar a sonhar com um posto mais alto.
A voz única e marcante do cantor Neguinho da Beija-Flor, que completa 40 anos de escola, fez do samba-enredo o ponto alto e manteve o empolgamento dos 3.700 componentes, distribuídos em 42 alas, sete carros e um tripé.

Distinção  à Guiné Equatorial

A escola de samba Beija-Flor homenageou no enredo a Guiné Equatorial, país africano.  O presidente da Beija-Flor, Farid Abraão, disse à imprensa brasileira: “Pegámos um enredo para falar de um país africano, um país que até então muita gente não conhecia”.

Desfile afro colorido

No desfile da Beija-Flor, o foco foi dirigido para as belezas e cultura da Guiné Equatorial. O desfile teve alegorias e fantasias de impacto e rebuscadas, com uma profusão de máscaras, carrancas, búzios, plumas, palha e sisal.
A comissão de frente veio sem elementos cenográficos. Munidos de lanças e escudos, os bailarinos fantasiados de guerreiros formavam uma árvore na avenida. Em formato de máscaras, os escudos causaram impacto ao trazer movimentos de expressões faciais, comandados por controlo remoto.
À frente do abre-alas, um tripé trouxe uma escultura da imagem do director de carnaval na figura de um cantor, velho sábio que conta as histórias antigas aos mais jovens.
O azul e o branco, cores da escola, apareceram somente no início do desfile. Para mostrar a Guiné Equatorial ao público, predominou o verde das florestas e da ceiba, conhecida como a “árvore da vida”, um dos símbolos da África Ocidental.
O Sambódromo foi então tomado por uma explosão de cores para retratar ritos, costumes e roupas usadas pelos habitantes do pequeno país africano ainda hoje.
A encerrar o desfile, a mistura dos povos e a celebração da formação da nação brasileira e o enlace entre o Brasil e a Guiné Equatorial.

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