Cultura

Escritor quer a conservação da originalidade do Carnaval

Mário Cohen

O escritor António Fonseca afirmou, quinta-feira, em Luanda, ser necessário que o Executivo crie políticas para a preservação do Carnaval em todo o território nacional, por forma a que esta manifestação cultural do povo não perca a matriz original.

Escritor foi o orador da palestra subordinada ao tema “Carnaval desafios da modernização”
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Dissertando sobre o tema “Diálogo sobre o Carnaval”, na quinta edição do Ciclo de Conferências “Carnaval - Desafios da Modernidade”, na Associação Recreativa e Cultural Chá de Caxinde, António Fonseca disse acreditar que os debates são a melhor via para abordar diversas questões dentro da perspectiva do futuro do Carnaval, marcado pela diversidade cultural que vem apresentando. 
“A nossa realidade cultural é muito diversificada nas suas expressões artísticas, assim como temos uma história com muito contributo, as quais não podemos ficar alheios. Temos uma matriz bantu que dá o corpo fundamental daquilo que é a angolanidade”, disse o palestrante.
Para o também PCA do Memorial Dr. António Agostinho Neto, a arte angolana de raiz bantu ainda tem muito para “enriquecer o nosso Carnaval”, em termos de estética cultural, tendo acrescentado que o Entrudo angolano não está isento de influências, como a introduzida na festa do povo, as figuras do rei, da rainha e do comandante.
A figura de comandante introduzida no Carnaval de Luanda pela inovação de Pedro Vidal, do grupo 10 Dezembro, nos dias de hoje passou a ser o líder dos grupos, mas, segundo António Fonseca, o Entrudo luandense tem matriz própria que não pode ser imposto em todo o território nacional.
O Carnaval de Luanda, disse o palestrante, matizou-se e adaptou-se a outras culturas, tendo ganhado fama e símbolos com originalidade própria na forma de dançar, integrando novos elementos artísticos, que o tornam assim na melhor festa carnavalesca do país, sendo o desfile bastante competitivo.
Para António Fonseca, essa festa popular divide-se em três grandes etapas, sendo a primeira a colonial, passando pelo Carnaval da Vitória, proclamado pelo primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, para celebrar a vitória sobre o exército sul-africano do apartheid, culminando nos dias de hoje no Carnaval da paz.
Disse que o Carnaval na sua essência reúne novos e velhos, mulheres e homens para brincar e dançar ao ritmo de uma expressão artística muito contagiante na diversidade cultural que os grupos apresentam, pelo que “pode gerar grandes receitas financeiras para o país e atrair turistas em época de festa carnavalesca em Angola.”
O palestrante recordou que, no relançamento do Carnaval, o Presidente Agostinho Neto tinha dito que o Governo iria  apoiar a realização do Entrudo por forma a fazer-se no país uma verdadeira festa, dançando nos bairros, nas ruas e nos salões das várias artérias das cidades.
O Ciclo de Conferências “Carnaval-Desafios da Modernidade” é realizado desde Maio até Dezembro, pela Associação Recreativa e Cultural Chá de Caxinde, em parceria com a  Fundação António Agostinho Neto, com o objectivo de agregar valores e qualidades ao Carnaval angolano para atrair investidores e promotores para esta manifestação cultural.

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