Cultura

Escritora Amélia da Lomba apresenta obra no Camões

Manuel Albano

“Espigas de Sahel” é o título da antologia da escritora Amélia da Lomba, a ser lançada, amanhã, às 18h00, no Instituto Camões - Centro Cultural Português, na baixa da cidade de Luanda.

“Espigas de Sahel” é o título da antologia da escritora Amélia da Lomba, a ser lançada, amanhã, às 18h00, no Instituto Camões - Centro Cultural Português, na baixa da cidade de Luanda.
Fotografia: Paulino Damião| Edições Novembro

A antologia, reúne poesia publicada entre 1995 e 2005, dividida em sete capítulos. Cada capítulo corresponde a uma obra publicada, ao longo deste período, numa sequência cronológica decrescente, de acordo com um comunicado de imprensa do Camões.

“Senhor Há Poetas no Telhado”, publicado em 2015, “Sinal de Mãe nas Estrelas”, editado em 2008, “Aos Teus Pés Quando Baloiça o Vento”, em 2006, “Noites Ditas à Chuva”, em 2005, “Espigas de Sahel”, em 2004, “Sacrossanto Refúgio”, em 1996, e “Ânsia”, em 1995, são algumas poesias que constam da antologia. Francisco Soares, que prefaciou e vai fazer a apresentação do livro, refere que: “Amélia da Lomba tem desenvolvido uma vocação poética única no panorama literário angolano da sua geração”.

O prefaciador do livro realçou que o percurso da autora não é linear (uma progressão em linha recta), nem esférico (ou repetitivo, obsessivo), mas elíptico (evoluindo sem perder identidade), acrescentando que a figura da elipse dá bem conta de um caminho em espiral que tanto se nota, na evolução de livro para livro, quanto na estrutura de muitos dos poemas de cada obra.

Ainda sobre a evolução da escritora e das suas obras, Francisco Soares sustenta que os temas, tópicos e motivos vão sendo retomados, o seu perfil muda, construindo um assunto novo, ou reconvertendo, o presente, um assunto mais antigo. Os poemas de Amélia da Lomba, acrescenta Francisco Soares, agradam pela magia, pela metaforização, que surpreende e apraz e ao mesmo tempo vinculam-se a uma linha crítica incisiva, onde o feminino se afirma cada vez mais e onde a ironia se apura, sem se alhear do presente nem da veemência.

Sobre traços identificadores de uma literatura angolana feminina, Amélia da Lomba considera que a literatura estritamente feminina pode ser vista como uma espécie de guetização pouco concordante com o mundo actual, em que a mulher se afirma cada vez mais capaz. A escritora afirma que a literatura é um espaço de liberdade (ou deveria ser) , em que a criação é independente de amarras de qualquer ordem para existir. A literatura é assexuada. Ela é independente do sexo de quem a produz.

Amélia da Lomba, nascida em Novembro de 1961, em Cabinda, é ambientalista, poetisa, escritora, artista plástica, compositora, intérprete e declamadora. Tem formação em Economia Política, Jornalismo, Psicologia, Gestão de Empresas, Ambiente e Desenvolvimento. Tem várias obras publicadas com destaque para: “Ânsia”, “Sacrossanto Refúgio”, “Espigas do Sahel”, “Noites Ditas à Chuva”, “Aos teus Pés, Quanto Baloiça o Vento”, “Sinal de Mãe nas Estrelas”, “Nsinga, O mar No Signo do Laço”, “Senhor, Há Poetas no Telhado” e “ Nem se Chamava Francisco”. Gravou um CD de música instrumental “Verso, Prece e Canto” e tem publicações em várias colectâneas e antologias nacionais, bem como estrangeiras.


Show de Vladmiro Gonga

O cantor Vladmiro Gonga realiza sábado, às 19h00, no Camões - Centro Cultural Português, um concerto, com as participações especiais de Toty Sa’Med, Amosi Label e Isaú Fortunato.  Vladmiro Gonga, com a sua voz, violão, contrabaixo e precursão interpreta temas do seu primeiro trabalho discográfico “Massemba Jazz”, assim como vai fazer ainda uma viagem por alguns clássicos da música popular angolana, e brindar o público com alguns temas inéditos, que devem fazer parte do seu próximo CD.

Cantor, compositor, violonista, pesquisador e produtor musical, Vladmiro Gonga cruza influências e combina ritmos tradicionais de África com o jazz e bossa nova, numa busca criativa que traz novas sonoridades à música popular angolana.
Influenciado pelos cantores e compositores brasileiros Djavan, Caetano Veloso e Gilberto Gil, Vladmiro Gonga valoriza, no plano nacional, a ousadia e renovação estética da música de André Mingas e Filipe Mukenga, na qual se revê conceptualmente. O músico lançou o seu primeiro CD “Massamba Jazz” em 2014, gravado no Rio de Janeiro e em Luanda.

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