Cultura

Escritora Luísa Fresta ganha prémio de poesia no feminino

Jomo Fortunato

Luísa Fresta, vencedora da primeira edição, resumiu do seguinte modo o conteúdo do seu livro, “Março entre meridianos”, “Este livro assinala o meu compromisso de género com todas as mulheres do mundo, as suas e nossas diversas lutas.

Vencedora de “Um bouquet de rosas para ti” inspirado no poema de Agostinho Neto dedicado à sua esposa Maria Eugénia Neto
Fotografia: Edições Novembro

“Março” do calendário, é chuva ou primavera e traz igualmente um simbolismo que todos abraçamos. “Entre meridianos” porque a poesia também pode ser assim, ou seja, uma linguagem mestiça, mutante e viageira, que não conhece fronteiras, grávida, aqui, de angolanidade, em pequenos apontamentos subliminares”.
A designação do prémio foi inspirada no poema homónimo,“Um bouquet de rosas para ti” do poeta Agostinho Neto,dedicado à sua esposa, Maria Eugénia Neto, escrito na cadeia da PIDE do Porto,no dia 8 de Março de 1955. O galardão é uma homenagem à esposa do Primeiro Presidente de Angola, celebra a mulher angolana, e, concomitantemente, o 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, e foi instituído em Março de 2017, no âmbito dos projectos culturais do Memorial Dr. António Agostinho Neto.
Segundo o texto do regulamento, o Prémio de Poesia no Feminino, “Um bouquet de rosas para ti”, tem como objectivo incentivar a produção de obras originais de escritoras angolanas e estrangeiras, estimular a criatividade feminina e destina-se a galardoar três obras inéditas de poesia, exclusivamente escritas por mulheres, que não tenham sido premiadas em outro concurso. Podem candidatar-se ao Prémio, todas as mulheres do mundo, com plena capacidade jurídica, independentemente da sua nacionalidade, desde que apresentem as suas propostas textuais, em língua portuguesa.
A primeira edição, 2018, distinguiu as seguintes obras e respectivas autoras, “Março entre meridianos” de Muhatu, pseudónimo literário de Luísa Clara Cartaxo Fresta, primeiro prémio, um milhão de Kwanzas e publicação da obra, “Rumorosas sílabas, simetrias de mulher”, de Marquita 50, pseudónimo literário de Cíntia Eliane Gonçalves André, quinhentos mil Kwanzas, e “Seios e ventres ” de Kanguimbo Ananás, pseudónimo literário de Maria Manuela Cristina Ananás, vencedora do terceiro prémio, que irá receber duzentos e cinquenta mil kwanzas.

Edição
A edição da obra premiada está a cargo do Memorial Dr. Agostinho Neto e a tiragem, 1000 exemplares, foi determinada pela mesma instituição. A autora da obra premiada receberá todos os anos uma informação sobre as vendas, quando atingirem os 500 exemplares. A autora receberá, a título de direitos de autor, 8% do preço de venda ao público e cede ao Memorial Dr. António Agostinho Neto, o direito exclusivo de explorar comercialmente sob todas as formas e modalidades. Este direito inclui a tradução para qualquer língua e o direito de adaptação teatral, cinematográfica, televisiva, vídeo, ou para outros suportes que existam ou venham a existir.  
A autora da obra compromete-se a subscrever um contrato de edição nos termos expostos no regulamento e de acordo com os Direitos de Autor e Conexos, bem como todos os contratos e documentos necessários para a protecção dos direitos de exploração, cedidos ao Memorial Dr. António Agostinho Neto.

Júri

O júri delibera com total independência e em plena liberdade de critérios, por maioria dos votos dos seus membros, cabendo ao presidente do júri o voto de qualidade, em caso de empate. Os prémios são atribuídos às três obras concorrentes que o júri considerar de maior mérito literário, devendo essa escolha ser devidamente fundamentada em  acta. A decisão do júri é definitiva e não susceptível de apelo, devendo ser anunciada até o dia 31 de Dezembro do ano anterior à cerimónia de entrega dos prémios. Caso as obras concorrentes não apresentarem a qualidade exigida, o júri poderá deliberar não atribuir o Prémio, galardão que só pode ser atribuído uma vez ao mesmo autor. Fizeram parte do júri, uma geração jovem de professores e estudiosos da literatura, constituído por Domingas Monte, Presidente do Júri, Hélder Simbad e Pombal Maria, três destacadas personalidades angolanas do mundo literário e cultural convidadas pelo Memorial Dr. Agostinho Neto, que estabeleceram um sistema de análise, classificação e selecção das obras admitidas a concurso e elaboraramum relatório das três obras seleccionadas para a final. 
Pelo simbolismo e importância literária do poema que deu título ao Prémio, publicamos um extracto do poema “Um bouquet de rosas para ti”, que revela o amor do poeta pela sua amada, “No aniversário da Maria Eugénia”, Um  bouquet de rosas para ti/- rosas  vermelhas brancas/amarelas  azuis -/rosas para o teu dia/ Suavidade e frescura/ das curvas ansiosas da terra/ e a exaltação poética da vida/- suavidade e frescura para o teu dia//Alegria da amizade/ nos esgares displicentes da morte/ e sobre a seiva catalisadora do afecto/ alegria e amizade para o teu dia/ E no teu dia/ se fundem também em mim/ os anseios e as emoções/ as tristezas e as iras/ a certeza e a fé/ e todos os pequeninos tons da variada vida/ misturados nos caleidoscópios do horizonte/ e todas as esperanças (…)

 

Publicações e principais distinções literárias da vencedora

Filha de Urbano Fresta e de Maria Clara Cartaxo Fresta, Luísa Clara Cartaxo Fresta nasceu em Braga, Portugal, no dia 21 de Agosto de 1964. Viveu a maior parte da sua juventude em Angola, país com o qual mantém laços de cidadania e envolvimento cultural e familiar, estando radicada em Portugal desde 1993.  Publicou em 2012 e 2013 um conjunto de crónicas sobre as décadas de setenta e oitenta da vida em Luanda, através do Jornal Cultura, Jornal Angolano de Artes e Letras, com o qual colaborou regularmente até 2015 e publicou, pontualmente, em diversas revistas on-line, com destaque para a “Literatas”,Moçambique, e as brasileiras, “O equador das coisas”, “Samizdat” e “Subversa”. Escreve regularmente desde 2013 para o portal “O Gazeta”, coordenado por Germano Xavier e desde 2014, tempublicado, sobretudo poesia, no portal “Entrementes”- revista digital de cultura. Escreve, desde 2016, no jornal digital “Artes&Contextos”. Sobre cinema, essencialmente africano lusófono e francófono, mantém participações episódicas através de artigos de opinião. Luísa Fresta tem publicadas as seguintes obras, “49 Passos/ Entre os limites e o infinito”, poesia, Chiado Editora, 2014, e “Contexturas”, contos baseados em quadros de Armanda Alves, co-autora, com a chancela dos “Livros de ontem”, em 2017.

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