Escritora narra história da Independência

Mário Cohen
4 de Setembro, 2016

Fotografia: Paulino Damião

“Tetembwa ya Dipanda”, expressão quimbundo que em português significa “Estrela da Independência”, é o título do trigésimo livro infanto-juvenil de Cremilda de Lima a ser lançado no próximo dia 9, às 9h00, na sede da União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda.

A escritora disse, ontem, ao Jornal de Angola, que agora está a trabalhar na conclusão de  novos livros infanto-juvenis, que pretende publicar nos próximos tempos em língua nacional quimbundo, visando  incentivar as crianças a darem maior importância aos idiomas locais.
O livro, cujo lançamento estava inicialmente agendado para o ano passado, no âmbito das comemorações dos festejos dos 40 anos da Independência de Angola, só agora chega às bancas, com a chancela da União dos Escritores Angolanos (UEA). É ilustrado por Victorino Kiala.
No livro, Cremilda de Lima descreve que “Tetembwa ya Dipanda” relata o imaginário dos angolanos como a ansiedade de ver o país livre dos colonialistas, pois a “Estrela da Independência”, que vivia no espírito dos angolanos, desde os tempos mais remotos, crescia, iluminava, brilhando e espalhando a sua luz.
“A Praça da Independência, engalanada, era um espaço grande cheio de cor e luz, havia uma coreografia de gente, uma estrela em cada coração ... As pessoas iam-se movimentando todas ansiosas pela mudança. Era um momento histórico. O colonialismo português, após quinhentos anos de dominação, ia finalmente ser derrubado. Momentos de verdade, magia e sonho...”, escreve a autora.
O livro tem um pendor educativo e pedagógico de forma fácil e aborda aspectos que marcaram o nosso país desde os primeiros dias da proclamação da Independência de Angola, com uma linguagem muito compreensível que espelha aspectos ligados à nossa cultura, assim como as comemorações que há pouco tempo se realizaram,  alusivas ao quadragésimo aniversário da Independência, assinalado a 11 de Novembro do ano passado em todo o território nacional.

Homenagem aos heróis

Para a escritora, honrar os heróis é um símbolo patriota, destacando vários comandantes da luta de libertação nacional, com realce para a actividade desempenhada pela rainha Njinga Mbande, o maior símbolo da resistência, que conseguiu aliar os povos das várias regiões durante longos anos.
A escritora rende ainda homenagem a Ekuikui II, que reinou no Bailundo, no planalto central, a Mutu-ya-Kevela, a Mandume, o rei dos kuanyamas, que venceu os portugueses em várias batalhas, assim como a Agostinho Neto, pelos ensinamentos constantes na sua obra “Sagrada Esperança”, que ainda está na mente e no coração dos angolanos.  A autora presta também homenagem ao cantor e compositor Mirol, autor do tema
“A independência está chegando”, com a transcrição de algumas estrofes da música: “A independência está chegando/ o dia já resplandecer/ nesse dia não vou mais chorar/ porque independente já serei/somos independentes/o país está unido/a paz é uma realidade/e os progressos são constantes”.
Maria Cremilda Martins Fernandes Alves de Lima nasceu em Luanda, a 25 de Março de 1940. Tem o curso de Magistério Primário, assim como formação superior em Ciências da Educação, opção Pedagogia, e grau de licenciatura pela Escola Superior de Educação de Leiria. Actualmente, é professora do ensino de base do I ciclo. Foi nomeada para o Prémio Internacional de Literatura infanto-juvenil Astrid Lindgrem.
Começou a trabalhar em 1964 e continua a ensinar e a manter a mesma determinação e empenho, como ama a profissão à qual se dedica de corpo e alma. É membro da União dos Escritores Angolanos  e da Associação cultural Chá de Caxinde.
Tem trabalhos publicados pelo Instituto Nacional das Indústrias Culturais (INIC), UEA,  editora Nzila e Solidariedade Lwini, assim como livros na Texto Editores para serem publicados.
Tem no mercado várias obras, destacando-se “O balão vermelho”, “Mussulo uma ilha encantada”, “A kianda e o barquinho de Fuxi”, “O maboque mágico e outras estórias”, “A múcua que baloiçava ao vento”, “O tambarino dourado” e “Os kandengues desfilam no Carnaval”.

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