Escultores querem mais feiras de arte

Edson Fontes| Caxito
17 de Março, 2015

Fotografia: Maria João | Caxito

Os escultores do Bengo pediram, ontem, ao Governo local e à direcção da Cultura, para fazerem uma maior aposta no sector, em especial no campo da formação, e mais abertura do mercado, através da realização, regular de feiras de artesanato.


Para o artesão Isidro Masoxi, que começou a praticar a arte em 1967 e tornou-se mestre em 1972, a criação de feiras de artesanato é um incentivo aos artistas do Bengo, “porque a província ainda se encontra no anonimato”.
Mestre Masoxi afirmou que em algumas províncias do país os fazedores da arte são vistos como figuras de grande valor e detentores de trabalhos de referência, com muita saída no mercado nacional e internacional.
O artista, que é o presidente da Associação dos Artesões do Bengo, informou que a instituição tem sob o controlo 15 escultores. Este ano, adiantou, querem trabalhar para criar uma sede própria. “Pretendemos construir também um centro de formação, para fazer a passagem de testemunho. Hoje existem muitos jovens de rua e outros desocupados, que só estão nesta situação por falta de uma ocupação profissional.”
A matéria-prima para trabalhar, conta, tem sido tirada da própria natureza pelos artistas. “Não é difícil fazer arte no Bengo. A província tem boa matéria-prima e quem sabe utilizar estes recursos acaba por trabalhar sem problemas. A maior dificuldade que enfrentamos está na venda dos produtos”, disse o artista.
O pau-ferro, o mujinji, a tacula e a moreira, explicou, são alguns dos materiais  mais utilizados no seu dia-a-dia. “Geralmente vendo as peças de arte que faço nos mercados de Luanda, Benguela e Malanje. Na maioria das vezes o dinheiro obtido com estas vendas dá para sustentar a família”, frisou o artesão.

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