Espanha celebra 400 anos de Cervantes


23 de Abril, 2016

Fotografia: Reuters

A Espanha comemora esta semana o quarto centenário da morte do seu escritor mais conhecido, Miguel de Cervantes, com várias cerimónias e eventos.

O autor de “Dom Quixote de la Mancha” morreu a 22 de Abril de 1616, em Madrid, mas a data sempre foi lembrada no dia 23, quando foi enterrado, para que coincidisse com a morte do seu colega britânico e também mestre literário William Shakespeare.
Personagem extravagante – sobreviveu a uma batalha naval, foi capturado por piratas, ficou cinco anos em cativeiro em Argel e passou vários períodos na prisão –, Cervantes é considerado o pai do romance moderno, por causa de “Dom Quixote”, um dos livros mais lidos e traduzidos do mundo.
A obra conseguiu um êxito imediato desde a sua publicação em 1605. O retrato de um herói imperfeito como qualquer outro homem revolucionou a literatura na época. Desde então, inspirou autores como Jane Austen, Fiódor Dostoyevski, Gustave Flaubert e Mark Twain.
“A obra de Cervantes é uma obra universal porque não está circunscrita a uma época e a um país, e fala sim de sentimentos. É uma obra muito actual”, afirma Javier Rodríguez Palacios, presidente da Câmara da localidade natal de Cervantes, Alcalá de Henares, perto de Madrid. A principal homenagem ocorre hoje, quando os reis Felipe e Letizia e o chefe de Governo Mariano Rajoy vão a Alcalá de Henares para a entrega anual do Prémio Miguel de Cervantes, que coroa a trajectória literária dos escritores em língua castelhana.
Outras cidades do país também comemoram a data, como Toledo, capital da árida região central de Castilla-la Mancha, e de onde procede Dom Quixote e onde transcorre boa parte do romance. Nesta cidade será inaugurada uma estátua gigante do herói de Cervantes feita de marzipã, um dos produtos típicos da região. Apesar dos vários eventos programados, inúmeros académicos e artistas expressaram a sua frustração pela falta de entusiasmo por parte do Governo em comemorar o maior escritor espanhol da história, em comparação com as celebrações britânicas pelo aniversário da morte de Shakespeare. O programa oficial, segundo eles, foi elaborado de forma tardia e escassa.l

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