Cultura

Especialistas defendem técnicas da crítica literária

Manuel Albano

Dinamizar a crítica literária, no sentido de torna-la mais racional e científica é uma das metas dos seminários que decorrem em Luanda, organizados pelo  Movimento Litteragris.

Fotografia: DR

Hélder Simbad, da organização, informou, ontem, ao Jornal de Angola, que a crítica literária reclama por alguma cientificidade, de maneira a criar novas formas de abordar o universo da literatura. Embora tenha reconhecido a qualidade e a capacidade crítica de alguns escritores,  Hélder Simbad, defendeu um novo paradigma na forma como têm sido analisadas as obras publicadas. “A falta de elementos científicos na abordagem ou análise de uma obra literária, quase sempre procura olhar a dimensão do escritor e não o produto em causa.”
Esse mesmo pensamento foi igualmente defendido pela especialista em Línguas e Literatura Africana, Domingas Monte, no tema “A crítica literária em Angola: perspectiva histórica”, quando disse que a ausência do domínio das teorias e técnicas do verdadeiro papel da crítica literária permite que se “olhe para o escritor e não pela análise da obra”, fragilizando desta forma a própria literatura.
Domingas Monte disse  que a crítica no país está baseada na análise tradicional, devendo emergir para a nova crítica que permite estudar a obra, julgar e examiná-la e não o escritor como tem sido feito. Na óptica da especialista, trabalhos do género devem ser feitos por leitores que conheçam as técnicas para, posteriormente, analisar e examinar as obras fragmentadas. Por isso, reforçou, deve-se ter uma observância para a obra literária e trazer pareceres que podem ser diferenciados na elucidação dos leitores, tendo em conta que  a função da crítica literária é passar uma informação ao leitor através da obra analisada.
No seu entender, a história da crítica literária em Angola está baseada em alguma parcialidade e questões sociológicas, sendo necessário que teóricos, críticos, escritores e todos ligado às letras se reúnam com frequência, de forma a olhar-se minuciosamente para as questões do género, para se definir como trabalhar, uma vez que a literatura nacional necessita de críticas.
No segundo tema “Por uma perspectiva sócio-histórica da literatura angolana: diálogos controversos”, o docente de Introdução aos Estudos Literários e de Teoria da Literatura, Joaquim Martinho, defendeu ser importante começar-se a estudar a história do país na perspectiva dos angolanos e não dos colonizadores.
Carmo Neto, da União dos Escritores Angolanos, disse que, em relação à avaliação da literatura, no sentido estético, há uma produção aceitável, mas que nem todo o texto encerra em si aquilo que é  literalmente considerável como obra literária.

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