Especialistas tentam desvendar mistério


25 de Junho, 2014

Fotografia: DR

Os especialistas em arte vão revirar os arquivos, analisar correspondências e dissecar os rascunhos e fotografias para tentar identificar o homem misterioso que foi descoberto sob o quadro “O Quarto Azul”, pintado em 1901 por Pablo Picasso.

Varreduras com infra-vermelhos revelaram a imagem de um homem bem vestido sob a pintura original, feita durante os primeiros dias do artista em Paris. Os peritos estão muito ansiosos em saber quem era o homem, que ligação tinha com Picasso e por que ele pintou outro quadro sobre o retrato.
“Tentamos identificar, se for possível, quem pode ser o homem sentado”, disse Susan Behrends Frank, curadora para pesquisas da Colecção Phillips em Washington. “Estamos a tentar reunir informações sobre indivíduos que Pablo Picasso conheceu, ou cruzou durante as suas primeiras e cruciais semanas em Paris.”
Os pesquisadores esperam que o material do Museu Picasso em Barcelona e de um outro de Paris ofereçam pistas.
Saber mais sobre o homem sentado com a mão direita a tocar a bochecha pode ajudar os pesquisadores a entender o processo e o estilo em transformação do artista, que morreu em França em 1973 aos 91 anos.
Um curador da Colecção Phillips, uma instituição particular, suspeitou que existia algo sob o "O Quarto Azul" ainda nos anos 1950, quando notou inconsistências no padrão das pinceladas. Em 1997, o raio-X revelou uma imagem borrada que confirmou as suspeitas. Mas foi só em 2008, quando a varredura com infra-vermelhos foi realizada, que um retrato mais nítido do homem de barba com gravata borboleta foi revelado. No princípio deste ano, os vários especialistas em arte contemporânea da Colecção Phillips, da National Gallery of Art de Washington, da Universidade Cornell e do Museu Winterthur em Delaware, nos Estados Unidos, que colaboraram na pesquisa, discutiram o achado e determinaram, julgando o padrão das pinceladas e o pigmento, que as duas pinturas foram feitas à pressa por Picasso em 1901. “Podemos ver como isso se encaixa nos seus trabalhos num período importante de transição para Picasso”, afirmou a especialista Susan Behrends Frank. “Uma das coisas que queremos é compreender melhor sobre o intervalo de tempo entre estas duas pinturas”, acrescentando que não era incomum os artistas principiantes reutilizarem uma tela e o retrato do homem misterioso não foi o primeiro encontrado sob uma pintura de Picasso.

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