Espectáculo “Tudo pelas lombrigas” abre Festeapaz

Manuel Albano |
22 de Março, 2017

Fotografia: DR |

O espectáculo de teatro “Tudo pelas lombrigas”, uma proposta de reflexão sobre a vida dinâmica e agitada dos luandenses, do grupo Protevida, abre no próximo dia 31, às 19h00, na Liga Africana, em Luanda.

A sétima edição do Festival de Teatro da Paz (Festeapaz), alusivo ao 4 de Abril, Dia da Paz em Angola.
“Tudo pelas lombrigas”, um monólogo apresentado pelo actor Osvaldo Moreira, que mereceu o título de Melhor Actor do Prémio de Teatro da Cidade de Luanda, em 2009, narra a história de pessoas que, nos momentos de fome e por falta de alimentos, foram obrigadas a praticar actos pouco dignos.
O espectáculo apresenta um argumento centrado na preservação dos valores cívicos e na melhoria de tipos de comportamento, com o intuito de promover um convívio salutar em sociedade.
O monólogo procura explorar várias situações assentes nos conflitos familiares por falta de condições financeiras, que têm sido motivo de desestruturação de muitos lares, o problema do desemprego e a falta de oportunidades para os jovens se poderem afirmar na sociedade.
O estilo de vida agitado, que as pessoas vivem nas grandes cidades, fruto da migração à procura de melhores condições de vida e afirmação social, é também apresentado durante a exibição da peça de 45 minutos.
O grupo Protevida foi fundado dia 14 de Fevereiro de 2008 e conta com seis integrantes, dos quais cinco do sexo masculino e um do sexo feminino. Já exibiu oito peças e participou  no Prémio Cidade Luanda, em 2009, tendo-se classificado em segundo lugar e arrebatado o prémio de Melhor Actor, com a peça “Tudo pelas lombrigas”.  De acordo com o programa do Festeapaz, estão reservados 18 espectáculos a serem apresentados por 18 grupos de teatro de Luanda, Huíla, Cuanza Sul, Namibe e Malanje. A província de Luanda faz-se representar com o maior número de grupos, num total de 14, um a mais do que na edição anterior.

Actividades extras


Além da exibição das peças de teatro, o programa reserva a realização de 1 a 8 de Abril de um ciclo de palestras, troca de experiências, exibição de teatro comunitário e infantil em escolas e locais públicos.
Os temas a serem abordados são “A importância da formação artística”, “A caracterização dos tipos de teatro feito em Angola”, “A influência do teatro na personalidade do indivíduo”, “Como rentabilizar o teatro”, “O contributo do teatro na segurança pública” e “O movimento artístico feminino”.
Em declarações ontem, ao Jornal de Angola,  Vitória Alberto “Priscila”, membro da organização do festival promovido pelo projecto Actos e Cenas, perspectiva uma edição coroada de êxitos, à semelhança das edições anteriores, embora reconheça as dificuldades que têm enfrentado na produção da iniciativa.
Realçou igualmente que o festival, a par de outras iniciativas, tem permitido dar mais dinâmica às actividades de artes cénicas no país, em particular, que, com o passar dos anos, tem conquistado o seu espaço no mercado nacional e internacional.
Promover o teatro feito por crianças, por forma a incentivá-las e a criar o gosto pelas artes, explicou, é também um dos fundamentos a ser atingido pela organização, que espera para este ano um aumento do público e do envolvimento da classe artística na materialização do festival que decorre até o dia 9. “Queremos envolver o maior número de pessoas, no sentido de dar a possibilidade de um maior debate sobre questões que directa ou indirectamente envolvem o quotidiano dos angolanos de uma forma geral, em particular dos luandenses”, referiu.

Inovações no festival

A perspectiva do Festeapaz este ano, adiantou, é continuar a inovar, apresentando um programa de actividades complementar, no qual vão procurar envolver os espectadores em todos os eventos do festival, por forma a criar uma maior interacção entre actores e assistência.
Envolver o público através de uma maior mobilização, por meio de divulgação do festival nas redes sociais, cartazes publicitários e comunicação social, disse, tem sido um dos aspectos fundamentais para dar a conhecer as actividades relacionadas com o festival este ano. “Temos recebido muito apoio, principalmente, daquele público fiel às nossas actividades, que têm nos ajudado a mobilizar outros espectadores.”
A garantia de salas de espectáculo cheias, principalmente nos finais de semana, tem sido a marca das edições passadas, pelo que Vitória Alberto “Priscila” se mostra muito optimista, com a presença considerável do público na sala da Liga Africana. O festival, explicou, começou a ser preparado dois meses depois de ter terminado a edição de 2016. 
Para esta edição, a organização do Festival de Teatro da Paz (Festeapaz) vai distinguir o melhor grupo emergente, o melhor actor e a melhor actriz. Vão igualmente prestar uma homenagem aos grupos de teatro Horizonte Njinga Mbande, Etu-Lene, Oásis, Julu e Miragens Teatro, pelo contributo que têm prestado ao longo desse anos para a promoção, divulgação e preservação do teatro que tem sido desenvolvido no país.

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