Cultura

Esperança de Don Kikas continua moribunda

Analtino Santos

Uma festa mwangolé a partir do Cine Teatro Capitólio, na capital portuguesa, Lisboa, testemunhada na tarde de domingo por milhares de telespectadores e internautas em Angola e no mundo, foi a atracção do último “Live no Kubico”, que celebrou os 25 anos de carreira de Don Kikas.

Fotografia: DR

Emitido pelo canal principal e o internacional da TPA e nas plataformas digitais da Platinaline, o artista fez uma incursão aos temas mais emblemáticos da sua carreira artística. No live na qual Don Kikas teve como convidados Bonga, Tito Paris e Eddy Tussa, o anfitrião aproveitou para homenagear Waldemar Bastos e Carlos Burity.

Em quase três horas de concerto, Don Kikas não apenas interpretou temas angolanos como narrou estórias da “banda”, o que proporcionou um verdadeiro regresso à sua base musical.

O músico arrancou o concerto em grande interpretando “Esperança Moribunda”, tema que remete aos dias difíceis do período de guerra civil e às suas consequências sociais, como o fenómeno "menino de rua". Do seu lado mais picante e romântico desfilou “Pura Sedução”, “Saquirima”, “Como foi bom”, “Lama do Amor” e “Angolanamente sensual”. Com a corista e amiga Yura Silva interpretou “Amor de Ninguém”, original de um belo dueto com a cantora Pérola.

Numa festa na qual o artista valorizou os trabalhos da comunidade e o exemplo foi o guarda-roupa da estilista africana Rosalina, teve como convidados dois grandes representantes da comunidade musical africana em Portugal, Bonga e Tito Paris. O cabo-verdiano partilhou o palco em “Muxima” e com Bonga (voz, dikanza e puita) reviveram “1900 Kapuza” e “Kisselenguenha”. Com o embaixador Bonga subiram ao palco Betinho Feijó e Carlitos Tchiema, dois instrumentistas e produtores incontornáveis na música moderna de raiz.

A união entre gerações ficou patente com Eddy Tussa que deixou o seu perfume de kamundongo em “Pato Fora”, numa tarde de domingo onde a folia de fim-de-semana de Luanda ganhou vida em “Sexta-feira”.

Com Jessica Pina, no trompete, e Sófia Grácio no piano, Don Kikas deu o seu toque em “Velha Xica” de Waldemar Bastos, no momento de homenagens que também passou por “Onjala Yeya” de Carlos Burity. O músico deu um xeque-mate ao levar os filhos: Flávio, Enzo e Kuzi para com ele partilharem o palco.

Don Kikas, em alguns momentos acompanhado da sua guitarra acústica, mostrou o seu lado de trovador, pouco explorado, tendo interpretado temas inéditos como “Nzala”, um tema em kikongo numa parceria com Gui Destino, e “Mamã Zungueira”. Galiano Neto, mestre da percussão angolana esteve em palco numa banda onde constavam Alex Zuk (bateria), Anderson Ivo (teclados), Peterson Gau (baixo), Elmano Costa (saxofone e flauta), Jéssica Pina (trompete), Sófia Grácio (coros e piano), Yura Silva (coros) e Tino MC, guitarrista cabo-verdiano muito presente na música angolana.

Don Kikas apresentou-se como convidado noutros concertos realizados a partir de Lisboa, numa produção de Ricardo Santos, da Frequentaplausos, em parceria com a TPA e Platinaline. As últimas duas grandes passagens por palcos nacionais do artista aconteceram no Show do Mês e nos Duetos D’avenida.

O “Live no Kubico” regressa este domingo a Luanda, com uma edição especial de celebração aos 45 anos da TPA, animada por Kituxi e seus acompanhantes, Vozes do Nâmbwa, Ndengues do Kota Duro, Justino Handanga, Socorro, Tunjila Tuajokota, Banda Akapaná, Grupo Cultural Mayeye Kotukwa Tu Mokina, Banda Mimbo, Kumby Ly Lixya, Familia Chiclé e Desbunda.

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