Cultura

“Esquadrão Kamy” retrata a história de várias heroínas

Manuel Albano

A vida activa de várias nacionalistas angolanas na luta de libertação e conquista da Independência Nacional é transportada para o palco na peça de teatro “Esquadrão Kamy”, com estreia no sábado, às 20h00, na Casa das Artes, em Talatona. A peça volta a ser exibida no dia seguinte à mesma hora e no mesmo local.

Retrato da vida activa de várias nacionalistas angolanas é levado ao espaço cénico
Fotografia: DR

De acordo com o encenador e director artístico Flávio Ferrão, “Esquadrão Kamy” é uma viagem ao passado, à história da participação das nacionalistas Deolinda Rodrigues de Almeida, Irene Cohen, Lucrécia Paim, Engrácia dos Santos e Teresa Afonso na luta contra o colonialismo português e a incorporação, como combatentes, do Esquadrão Kamy, coluna guerrilheira preparada e treinada em 1966.
O Esquadrão Kamy, explica Flávio Ferrão, era treinado por nacionalistas cubanos, cuja  missão era levar reforços da fronteira do Congo até à Primeira Região Político-Militar no interior de Angola. Não foi bem sucedido, elas foram presas nos arredores da pequena vila de Kamuna, e posteriormente assassinadas no dia 2 de Março de 1966. Este dia foi  consagrado como o Dia da Mulher Angolana. “É uma obra dramática que nos leva imaginariamente a entender o que se passou naquela odisseia do regresso ao Congo depois da tentativa fracassada de entrar no interior de Angola”, diz Flávio Ferrão.
Flávio Ferrão refere  a participação das mulheres na luta de libertação. “Procuramos fazer uma reflexão e valorização do esforço abnegado destas valentes heroínas que deram um grande contributo para que o país fosse livre, unido e independente das atrocidades do colonialismo.”
O encenador explicou que trabalham na montagem do espectáculo há, sensivelmente, quatro meses, com ensaios físicos, dicção, interpretação dos textos e laboratórios com alguns familiares das homenageadas para se aproximar da realidade dos personagens.
Flávio Ferrão afirmou que as cinco actrizes que interpretam as personagens da peça foram escolhidas ao pormenor. “São jovens talentosas e com uma capacidade de viver as personagens de forma apaixonada e com muito profissionalismo, o que facilitou o próprio processo de montagem da peça. Vai ser uma viagem a uma parte da História de Angola”, garantiu o encenador que adiantou que o projecto pretende dar a conhecer à actual geração uma parte do registo da História e compreender os processos percorridos até alcançarmos a Independência. “Muito sangue, suor e lágrimas foram derramados por jovens e muitos perderam as vidas em nome da nação”.

  As cinco actrizes protagonistas da peça de teatro

Numa produção da empresa  Bucos, a peça “Esquadrão Kamy” é interpretada por Sofia Felicidade Alberto Buco, Naed Branco, Lia Carina de Sousa Monteiro, Zoé Silva e Ailsa Renata Gota Conceição de Sousa.
Sofia Buco, nascida  em 1985,  interpreta o papel da nacionalista Deolinda Rodrigues. A actriz é formada em Ciências da Comunicação pela Universidade Independente de Angola (UIA).
Tem participação em obras teatrais com destaque para  “Corvos ao Imbondeiro”, “Os monólogos da vagina”, “Mercador de Veneza” e na telenovela  “Jikulumessu”. Na televisão tem destaques no “Zimbando”, “Sons de Angola”, “Bastidores” e “Texturas”.
Naed Branco que vai interpretar a personagem da heroína Lucrécia Paim, nasceu em 1985. É actriz do grupo Henriques Artes desde 2005. Participou em várias telenovelas nacionais com destaque para “Doce Pitanga”, “Stop Sida”, “Conversa no Quintal” e “Contos de História”.  Tem participações em inúmeras peças de teatro com destaque para “Hotel Komarka”, no binólogo “Côncavo e Convexo”, “Cinderela de Luanda”, “Rei Leão”, “O Preço do Fato”, “Hamlet”, “Gravidez” e “O ex-namorado tem de morrer”. Naed Branco é uma das actrizes angolanas com  participações em festivais internacionais, com destaque para o Festival Internacional de Língua Portuguesa (Festlip), Festival Internacional de Teatro (Mindelact), em Cabo  Verde, e no Festival Internacional de Teatro de Inverno (FITI), de Moçambique.
Lia Carina de Sousa Monteiro, nascida em 1992, em Lisboa,   é formada em Ciências da Comunicação pela Universidade Independente de Angola. Foi repórter  e apresentadora de televisão na Semba Comunicação entre 2011 e 2018, nos programas “Flash”, “Viagens” e “Cine Tv”. Participou nas telenovelas “Windeck”, “Jikulumessu” e na telenovela portuguesa “Paixão”, da Sociedade Independente de Comunicação (SIC). Vai estrear-se no teatro com a peça “Esquadrão Kamy”, na interpretação de Irene Cohen.
Zoé Silva, 30 anos de idade, dos quais 11 como actriz, é formada em Jornalismo em Lisboa e frequenta o curso de Comunicação Empresarial e Línguas. Jornalista e locutora, tem participação em obras de teatro, como “Uma paixão do caraças”, “Contra o tempo”, “Dançando com o lobo”, “Hotel Komarka”, “História que marcou o sul”, “4:30”, “Rostos de Loanda a Luanda” e “Fragrância de amor”. Foi distinguida com o Prémio de Melhor Actriz no “Prémio de Teatro Cidade de Luanda”, da última edição.
Participou nas novelas “Jikulumessu” e “Muxima”. Tem experiência de televisão nos programas “ABC da educação financeira” e “Mercados ao minuto”. É repórter e redactora da TPA.
Ailsa Renata Gota Conceição de Sousa, que na peça “Esquadrão Kamy” vai desempenhar a personagem da nacionalista Teresa Afonso, tem 26 anos. É professora do Terceiro Ciclo do Ensino de Base e formada em Gestão de Recursos Humanos, apresentadora, modelo e actriz . Vive a sua primeira experiência no teatro.

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