Cultura

Estado actual das artes analisado por criadores

Mário Cohen

“Redescobrir a arte” e fazer um balanço retrospectivo sobre o estado actual das artes no país é o foco principal do I encontro de reflexão artístico-cultural, aberto, na segunda-feira, na Academia BAI, em Luanda, pelo Instituto Superior de Artes (Isart).

Finalistas do Isart realizam encontro de reflexão artístico-cultural em Luanda
Fotografia: Contreiras Pipa| Edições Novembro

Para o director-geral do instituto, Jorge Gumbe, o encontro serve ainda para o Isart analisar qual a sua função dentro do universo das artes angolanas. Os quatro anos de existência do instituto são o suficiente para um exame acerca da sua missão no desenvolvimento da formação artística em Angola, assim como para criar uma plataforma de fortalecimento da sua relação com os criadores.
De acordo com o director do instituto, essa relação entre o Isart e os criadores deve ser também estendida aos seus parceiros, nacionais e internacionais, que participam no encontro, com realce para os artistas da Namíbia, República Democrática do Congo e dos Estados Unidos da América.
Além de servir para analisar as artes e o papel do Isart no surgimento de novos talentos, o encontro tem ainda como objectivo saudar o Dia de África, que se assinala no sábado, 25, e a Semana Internacional das Artes, promovida pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
O encontro, destacou ainda Jorge Gumbe, inclui ainda a realização de várias actividades, como concertos, seminários, exposições de artes, mesa redondas e uma residência artística, com o intuito de mobilizar, durante quatro dias, os habitantes da capital e da centralidade do Kilamba, em particular, para conhecerem o estado das artes angolanas.
O encontro, que se pretende o primeiro do género, representa, para o director do Isart, uma oportunidade para olhar profundamente o papel e o lugar que as artes desempenham e ocupam no desenvolvimento sustentável das sociedades contemporâneas, em particular no país.
O director do Isart explicou que o encontro se justifica devido à urgência de repensar-se a teoria e a prática das artes em diferentes contextos, “além de mostrar a sociedade a existência do Instituto Superior das Artes e o seu pape no desenvolvimento e elevação do nível cultural da sociedade.”
As artes para a sociedade angolana, disse, devem ser vistas como uma forma de tornar acessível a dissertação e a compreensão das habilidades artísticas, sejam elas visuais, sejam performativas, como a dança, a música e o teatro.
Porém, reconheceu que ainda existe um grande desconhecimento no país sobre o conceito ligado à arte nas suas mais diversas expressões, “como o processo de concepção e leitura de uma obra de arte, a relação entre a arte e o quotidiano social ou sobre a importância da formação artística nos variados níveis de aprendizagem.”
Pelo facto de estarmos a colocar no país artistas formados nas diferentes áreas das artes, o director do Isart considera fundamental criar-se um diálogo mais próximo com a sociedade sobre a importância de um ensino artístico a nível superior. “É preciso também criar uma ponte mais forte com o público para dissipar todos os preconceitos sobre a arte e os artistas.”
Para resolver os problemas sobre as artes no país, destacou, é necessário criar diálogos, fazer mostras e apresentações públicas e desenvolver projectos constantes com a comunidade, de forma a apresentar soluções possíveis e sustentáveis para se acabar com as dificuldades que as artes enfrentam.
A semana de encontro de reflexão artístico-cultural termina, na sexta-feira, às 9h00, na Casa das Artes, no município de Talatona, em Luanda, com a cerimónia de outorga de diplomas aos seus primeiros licenciados em diversas disciplinas de artes.

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