Estilista defende maior incentivo da moda

Manuel Albano |
8 de Setembro, 2014

Fotografia: Eduardo Pedro

A presidente da Associação dos Estilistas Angolanos, Yana Van-Dúnem, defendeu ontem em Luanda a criação de uma indústria cultural forte, para poder contribuir para o crescimento da moda no país.

A estilista, que foi oradora do tema “Desenvolvimento da moda em Angola e suas perspectivas futuras”, na Feira das Indústrias Culturais, no âmbito do FENACULT, disse que o país precisa de criar infra-estruturas que permitam o relançamento das fábricas de tecidos nacionais, para tornar o produto feito pelos criadores angolanos mais barato e acessível.
A indústria da moda, referiu, pode ser uma fonte de rendimento e contribuir para o aumento do Produto Interno Bruto (PIB), com a criação de um mercado competitivo e com produtos baratos e de qualidade. “O objectivo é incentivar as associações, em parceria com o Executivo, na criação de políticas que promovam o crescimento da moda no país, porque a moda também pode ser um factor de riqueza e de criação de vários postos de trabalho”, disse.
A figura do estilista, referiu, não deve ser apenas associada à do promotor de vendas de roupa, mas também à do criador de modelos e outros acessórios. “O estilista pode desenhar carros. Existe uma vaga de produtos que o estilista pode desempenhar na sociedade. Há muitos produtos que têm ajudado a levantar a economia de muitos países e que podem ser melhor explorados em Angola”, sublinhou.
Os designers podem ser aproveitados igualmente para criarem os modelos e marcas das instituições públicas e privadas, dando um sentido mais original com os traços culturais angolanos. “A moda não é apenas o desfile, ela pode ser explorada no sentido comercial”, defendeu.

Parcerias e encontros

Yana Van-Dúnem realçou ainda a importância de se criarem mais parcerias e encontros entre os Ministérios da Indústria, Comércio, Hotelaria e Turismo e Cultura, para se estabelecerem estratégias que impulsionem a indústria da moda em Angola.
O tecido angolano precisa de ser reactivado para ajudar a dinamizar a indústria da moda, através de um padrão nacional. “Estamos a utilizar muitos tecidos estrangeiros, o que torna a moda feita no país ainda mais cara”, argumentou. A moda em Angola ainda é vista no sentido de espectáculo e não como um elemento que pode ajudar a criar receitas para o desenvolvimento de Angola, disse.
A artista plástica referiu que tem quadros espalhados em várias museus do mundo, como República Dominicana, Portugal, Espanha e Reino Unido. Natural de Malange, Yana Van-Dúnem é também a autora dos livros “O Pescador”, “Mau-olhado” e “Poder da Argila”. Como pintora, utiliza óleo, pastel e acrílico, além de outros materiais, e já foi distinguida com um prémio de arte nos Estados Unidos.
 
Actividades da Feira

Amanhã está agendada uma palestra com o tema “Os direitos dos consumidores”, que é proferida pela directora do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC), Paulina Semedo, às 12h00, no espaço Espelho de Água. Ainda no mesmo espaço está prevista, às 15h00, uma palestra que vai abordar o tema “Literatura e jornalismo ou vice-versa quem influencia quem?”, proferida pelo jornalista Albino Carlos. Palestras sobre a medicina tradicional, o teatro angolano, lançamento de livros e desfile de moda vão preencher as demais actividades.
Para quarta-feira, último dia da Feira, está prevista a apresentação dos livros “Os acontecimento de Ndalatando e Lucala”, de António Assis Júnior, “A roda de Tchinganji”, de Timóteo Ulica, e a brochura “Léxico Temático Português e Língua Nacional”, criada pelo Instituto Nacional das Indústrias Culturais. Todas as actividades têm lugar no espaço Espelho de Água.

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