Cultura

Estrangeiros destacam a qualidade das obras

Francisco Pedro

Os artistas estrangeiros convidados à 15 ª edição do Festival de Banda Desenhada e Animação “Luanda Cartoon”, aberto sexta-feira, no Centro Cultural Português, destacaram o potencial criativo dos jovens artistas angolanos.

Apreciadores de BD lotaram as duas salas de exposição do Camões-Centro Cultural Português
Fotografia: Contreiras Pipa | Edições Novembro

O  artista  brasileiro André  Dinis, autor do desenho “ Malditos Amigos”,  enalteceu a capacidade  artística  dos participantes.
“Estou  feliz por participar nesta edição. Permite-me interagir com criadores angolanos. Este evento contribui para o crescimento da banda desenhada em  Angola”, reconheceu o desenhador.
Weberson  Santiago, também de nacionalidade brasileira, enalteceu o empenho  dos artistas angolanos, e aconselhou-os a engajarem-se mais para  o alcance de outros níveis nos seus  trabalhos.
 “Sinto-me  satisfeito com a qualidade  dos trabalhos dos angolanos, o que representa, de certo modo, o empenho dos produtores  da banda desenhada  no seu todo.”
Por sua vez, artistas nacionais defenderam a necessidade de mais apoios para a produção de obras, com a finalidade de incentivar a criatividade dos novos talentos.
Júlio  Pinto, autor do livro de BD, “Eles Ainda Cantam”, considera o festival uma  oportunidade para  mostrar  o  talento  dos  fazedores  de BD, mas ”há, ainda, a  necessidade  de mais  apoios para o crescimento deste segmento das artes.”
Acrescentou que, a  nível  nacional, existem muitos talentos, porém, “existem muitas  dificuldades  no  que  tange  aos  apoios  para  a  produção   de  obras, factor que constitui  um obstáculo  para o crescimento  da BD.”
Adão  Dimba enalteceu o esforço  da  organização  do festival, por demonstrar empenho e interesse  no  crescimento    da  BD a  nível nacional.
Para a directora do Camões-Centro Cultural Português, Teresa Mateus, pelo décimo quinto ano consecutivo, a instituição que dirige abre as portas para acolher o festival,  “que nasceu neste espaço, no quadro de uma parceria com o Estúdio Olindomar.”
Admiradora da arte em quadradinhos, Teresa Mateus realçou que esta “grande festa”, em que se tornou o “Luanda Cartoon”, atrai a atenção e o interesse de um vasto e diversificado público, de todas as faixas etárias.

Um minuto de silêncio
No eloquente discurso de abertura, Teresa Mateus pediu um minuto de silêncio pela morte do cartoonista Vavá, nascido em 1978, que aos 12 anos de idade começou a produzir os primeiros desenhos, e, desde 2005, fazia parte do Estúdio Olindomar, tendo  participado em todas as edições do  “Luanda Cartoon”, incluindo a edição de 2015, em que o festival  arrebatou o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na modalidade de Artes  Plásticas.
A organização do festival reservou o “Espaço do Vavá”, com várias obras que o malogrado, sepultado no dia de abertura do festival, deixou para esta edição. Vavá descreve nas obras o quotidiano das jovens de Luanda, em particular do bairro Rangel, onde nasceu e viveu ao longo dos 40 anos. Das meninas adolescentes que namoram com senhores de 50 anos, das “rixas” (lutas), entre adolescentes, enfim, das “makas” com garrafas visíveis, diariamente, nas ruas do Rangel, conhecido por “RA”. 
Por tudo isso, a directora do Camões reconheceu que o festival granjeou a dignidade de “expressão artística.” “Peço a todos um minuto de silêncio, em memória do nosso amigo, o consagrado cartoonista Vává, que partiu, mas permanece vivo no nosso espírito e na nossa memória.”

Dignidade do festival
Desde 2010, o festival adquiriu um cariz internacional, com a apresentação de trabalhos e presença de artistas estrangeiros, de diversos continentes. Crescem, também, as revistas de BD (fanzines) de autoria individual, nesta edição foram lançadas várias publicações, bem  são exibidos vários filmes de animação de produção nacional.
Nesta edição, foram lançadas sete revistas, cujos autores autografaram e esboçaram caricaturas para os admiradores que compravam as obras no local. Dialogavam horas e horas, e quase ninguém pensava em abandonar o espaço, como se tratasse de um encontro familiar.
Ainda sobre a história do festival, a directora do Camões lembrou: “Vou repetir o que tenho dito nas edições anteriores: Está ligado desde a sua génese, aos irmãos Lindomar de Sousa e Olímpio de Sousa, inspirados nos grandes festivais mundiais de BD”, realçou Teresa Mateus, que felicitou todo o colectivo que construiu e tornou possível a realização de mais uma edição do “Luanda Cartoon”.

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