Estratégia de promoção da cultura e das artes

Jomo Fortunato |
1 de Dezembro, 2014

Fotografia: Adriano Maia |

A décima sexta edição do BAI-arte, inaugurada a 14 de Novembro, está patente ao público até o dia 5 de Dezembro de 2014, na Academia BAI, situada no Morro Bento.

O certame, de periodicidade anual, criou marca e prestígio junto da classe artística, e tem propiciado uma relação saudável de intercâmbio cultural entre a instituição bancária, e os artistas mais representativos da pintura angolana.
Fábio Correia, Director de Marketing e Comunicação do BAI, escreveu o seguinte sobre a décima sexta edição: “Procuramos inserir neste contexto uma exposição multifacetada, que apresenta seis novos valores artísticos, com graus de maturação diferentes do panorama das artes em Angola”, lê-se no catálogo. “Luanda 02-14 repostas ao (des) envolvimento”  é  o tema desta edição, de um evento reiterado por ocasião do aniversário do Banco Angolano de Investimentos, a 14 de Novembro, no âmbito do seu programa global de promoção das artes.
Na presente edição participaram as seguintes artistas: Erika Jamece, nascida em 1977, fez consutoria de arte e trabalha em pintura, escultura, cerâmica, gravura, tapeçaria e artesanato, Leda Baltazar (1979),  trabalha em pintura e possui formação em educação visual, design, e produção gráfica, e Patrícia Cardoso (1973), que  trabalha em pintura sobre materiais alternativos tais como madeira, tecidos e artigos recicláveis. Participaram ainda os artistas: Francisco Vidal (1978), trabalha em desenho, escultura e instalação,  e Ihosvanny (1975), que trabalha, fundamentalmente, em  pintura e vídeo-arte. Nelo Teixeira (1974), outro artista convidado, revelou o seguinte sobre a sua obra:  “Sou apaixonado pela madeira e estudo sempre as técnicas dos outros. Trabalho com materiais reciclados, quer em esculturas e quadros, por influência do meu tio, um grande artesão no Zaire, de quem nós, os seus sobrinhos, éramos ajudantes”.

História

O BAI-arte começou com as artes plásticas, em 1999, tendo a incidência artística desdobrado-se em diferentes domínios da arte: tapeçaria, escultura, música e dança.  A primeira edição coincidiu com a celebração do terceiro aniversário do BAI, com uma exposição colectiva que reuniu cinco artistas plásticos angolanos: Don Sebas Cassule, Jorge Gumbe, Luandino Carvalho, Tozé e Van, totalizando um conjunto de vinte e cinco obras, que teve como curador o artista plástico Rosário Matias, na altura responsável pelo Departamento de Operações Estrangeiras. 
Em cada mês de Novembro, para além das especificidades temáticas no domínio da arte, emerge uma variedade de valores estéticos, numa iniciativa que vai, paulatinamente, constituindo uma referência para clientes, colaboradores, artistas e público em geral.  O BAI-arte tem possibilitado uma simbiose, onde os espaços do BAI são valorizados, com uma nova função, procurando inovar, em todas as dimensões, a sua acção social e empresarial. 

Música

O simbolismo da música esteve representado na décima primeira edição do BAI-arte, que decorreu de 9 a 13 de Novembro de 2010, sob o signo "Viva a música". Na ocasião, o SIEXPO, Salão Internacional de Exposições, transformou-se num “palco interactivo de demonstrações acústicas variadas, onde foi apresentada a riqueza harmónica e as variadas manifestações de cada um dos instrumentos musicais”. Angola comemorava, na altura, os trinta e cinco anos de independência, e o BAI os seus catorze anos de existência. Estiveram expostas: a voz, a dikanza, o hungo, o kissange, o tambor, a marimba, saxofone e a guitarra. Importa referir que valorização da música angolana este presente nos projectos BAI-night, concertos de periodicidade trimestral,e, actualmente no Prémio BAI- canção do carnaval, e, no domínio do livro, com o apoio à realização da Feira Internacional do Livro e do Disco.

Dança

A décima terceira edição do BAI-arte foi dedicada à dança, sustentada pelo espetáculo "Oratura dos Ogros", uma coreografia da Companhia de Dança Contemporânea de Luanda, num diálogo intertextual com as artes plásticas e a narração de contos da tradição oral angolana. O certame decorreu de 14 a 18 de Novembro de 2009, no SIEXPO, Salão de Exposições do Museu de História Natural, e teve duas abordagens: uma exposição de Horácio da Mesquita, conjunto de aguarelas que contavam a História da Baçula, uma exposição de telas da UNAP, incluindo objectos do Ballet Nacional, representando um histórico da dança na sua generalidade, com a denominação,  “Movimentos da dança”.

Cabinda

A primeira edição do BAI-arte fora da cidade de Luanda, aconteceu na província de Cabinda nos dias 3 e 7 de Junho de 2011, sob o signo “Investimos nos artistas da terra”, depois de onze anos circunscritos à cidade de Luanda. Estiveram representados na décima segunda edição os artistas: Ngonga Nkula Ribeiro, Samuel Nkai, António Francisco, Estêvão Kiony Komba André, Paulo Mvumbi, António Nzinga e Mateus Miguel, com obras nas disciplinas de escultura e pintura, com a curadoria do artista plástico angolano Jorge Gumbe. O BAI, segundo a nota de imprensa distribuída na altura, “mantém-se fiel à sua filosofia de instituição financeira que tem, entre os seus valores, a preocupação com o apoio à cultura e às artes angolanas, enquanto depositárias da memória colectiva dos angolanos”.

Huíla

Depois de Cabinda foi a vez da Huíla acolher a décima terceira edição do BAI-arte, no décimo sexto aniversário da instituição bancária. Na ocasião o curador e artista plástico Jorge Gumbe, afirmou o seguinte: "No ano em que comemora os dezasseis anos de existência, o BAI reforça o compromisso com a sua política de mecenato cultural, promovendo as distintas tendências criativas do povo angolano".
Na exposição “BAI-arte, Lubango 2012" estiveram representados sete artistas da Huíla e de Luanda, nomeadamente:  Aguinaldo Faria, Rebeca Lua, André Malenga, Pascoal Duango, Claver Cruz, Pascoal Kadu, e Paulo Kussy, como convidado especial. Durante uma semana, o espaço Cásper Lodje acolheu a mostra colectiva composta por dezasseis obras, intitulada “Uma exposição de talento e de criatividade”.

Escultura

A edição de 2012 do BAI-arte Luanda 2012, foi totalmente de dicada à escultura e contou com a presença de Kiana, cuja “obra transpõe os arquétipos euro-ocidentais para os valores africanos”, Amândio Vemba, “jovem escultor de madeira a despertar no mundo das artes plásticas, e as suas obras retratam o quotidiano com paz, amor, beleza, natureza e harmonia”, e António Toko, jovem escultor, nascido em Luanda, e que frequentou o atelier do mestre Malangatana em Maputo, tendo apresentado, esculturas em madeira.

Arquivo morto


A décima quinta edição do BAI-arte, contou com as participações de fotógrafos, pintores, e vídeo “maker”,  representados por Paulo Azevedo, Délio Jasse, Joana Taya, Kiwla Santos, Fortunato Bangui, e Mangovo. O tema “Arquivo morto”, segundo podemos ler no prospecto informativo, “parte de conteúdos artísticos ligados a uma invisibilidade material, que evidenciam as possibilidades implícitas do vazio, as infinitas vias de criatividade desvinculados do peso do visível na arte, criando assim uma distinção entre o “invisível” e o “não existente”, um dos paradigams da arte contemporânea.

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