Estudantes devem saber mais da literatura

Manuel Albano
9 de Setembro, 2014

Fotografia: Eduardo Pedro

O escritor Augusto Sapengo, da Brigada Jovem de Literatura do Huambo, aconselhou, domingo, na segunda edição da Feira Nacional das Indústrias Culturais, que decorre até amanhã, em Luanda, os estudantes a integrarem-se nos projectos literários juvenis, de modo a conhecerem melhor a história da literatura angolana e dos seus autores.


Durante a sua dissertação sobre “As associações literárias juvenis: perspectivas e implementação nas universidades”, o escritor disse que as agremiações do género têm a especificidade de ajudar os estudantes a serem mais criativos nas suas actividades diárias, permitindo a estes serem também mais participativos na sociedade.
Augusto Sapengo explicou ainda a importância das associações literárias juvenis no desenvolvimento intelectual dos próprios jovens, por os permitir ter uma visão mais coerente dos fenómenos sociais, políticos, económicos e culturais do país. “São as associações do género que ajudam os estudantes a desenvolverem aptidões que os permitem serem mais activos e melhores capacitados para desenvolverem os seus discursos”, destacou.
O orador adiantou ainda que para uma melhor defesa da identidade cultural do país é importante que os jovens passem mais tempo a explorar o universo literário angolano. “A juventude precisa inovar e criar espaços de debates nas escolas sobre a literatura angolana. Quem lê mais tem maiores capacidades de argumentação e melhora também a escrita”, defendeu.

Falta de líderes

O escritor João Lara, também da Brigada Jovem de Literatura do Huambo, disse, à margem da palestra, que existe, em alguns focos, uma “crise de liderança nas organizações juvenis e falta de disponibilidade dos líderes”, detalhes que dificultam a melhoria dos programas e projectos literários direccionados para a juventude. O autor realçou que os objectivos pessoais dos líderes das associações e organizações juvenis, de certa maneira têm criado dificuldade na melhoria dos programas colectivos. “Os projectos só podem ser abrangentes quando dedicamos tempo e criamos espaços de intercâmbio, por formas a explorarmos melhor os subsídios e propostas de cada um”, disse.
Por isso, apelou os encarregados de educação para desenvolverem e criarem programas caseiros culturais, por forma a incentivarem os membros das suas famílias a ganharem o gosto pelas artes, essencialmente a literatura.
O autor Diogonail Wajiza, da Brigada Jovem de Literatura de Luanda, destacou, após a palestra, que o contacto constante com obras literárias angolanas e os seus criadores poder ser um factor importante para os estudantes identificarem os seus talentos. “A busca de conhecimento não deve ser limitada, devemos ir constantemente atrás de experiências e subsídios de pessoas que escrevem há muitos anos”, disse. O responsável defendeu a importância de se dar continuidade aos projectos culturais existentes, por ser uma forma de aumentar o consumo dos produtos culturais angolanos. “Um povo sem cultura é um povo sem identidade, que pode facilmente ser aculturado”, disse.
Para os futuros escritores disse que “para ser excelente não basta apenas escrever, mas também ter contacto com os trabalhos produzidos pelos outros autores angolanos e estrangeiros”. “O conjunto de livros que publicamos e são lidos ao longo dos anos também é um indicador”, referiu.

Literatura tradicional

O professor de Literatura Angolana Joaquim Martinho disse ao Jornal de Angola, à margem da palestra sobre “Literatura tradicional Angolana - Riqueza patrimonial, valor simbólico, histórico e social”, que é importante definir o conceito de literatura tradicional de forma simples, para os jovens terem mais conhecimentos sobre a “memória colectiva” e tenham mais bases para a sua divulgação.
O valor simbólico da riqueza tradicional angolana, explicou, está em permitir as pessoas conhecerem a filosofia de vida e costumes dos angolanos. “Porém, é importante que seja feita maior recolha de matérias capazes de ajudar a enriquecer o seu acervo”, disse.
A organização da Feira das Indústrias Culturais convidou os estudantes da Escola Óscar Ribas a participarem nas palestras. Cristina João, estudante da 12ª classe, da referida escola, disse que a feira está a ser um espaço importante para manter contacto com os escritores e saber mais sobre a cultura angolana.
Para o estudante Adilson Junqueira, também da 12ª classe, da mesma escola, a palestra permitiu saber mais sobre as dificuldades que os escritores encontram no processo de edição das obras. “É um mundo desafiador e para ser um bom escritor leva tempo. É importante também fazer muita leitura”, acrescentou.

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