Cultura

Estudantes mostram criatividades artísticas

Roque Silva |

O dom e a criatividade artística que impera nos estudantes do Centro de Escolas de Arte (Cearte), em Camama, município do Kilamba Kiaxi, estão patentes até amanhã em exposições montadas nas salas daquela instituição de ensino.

Alunos do Cearte mostram dom e criatividade artística no Festival Arena das Artes
Fotografia: Maria Augusta | Edições Novembro

As exposições integram o programa do II Festival Arena das Artes, sob o lema “Nós e as artes”, reúnem um conjunto de obras e a apresentação de trabalhos das mais variadas disciplinas artísticas, além de tertúlias sobre as artes.
Mais do que uma escola de formação de artistas plásticos, actores, dançarinos e músicos, o Cearte está transformado num verdadeiro espaço de criação e divulgação das artes.
O anfiteatro, o refeitório e as   salas do complexo são os cenários em que os estudantes de várias classes e cursos produzem e expõem quase tudo o que aprenderam.
Desde os quadros de pinturas, desenhos e gravuras, fotografias, esculturas, corte e  costura, dança contemporânea, representação de teatro, música improvisada, aspirantes a artistas por excelência manifestam e expressam livremente o que os vem na alma. Outros estudantes pintam e esculpem no decorrer do certame.
O continente africano, os retratos de figuras que marcaram a história universal, os problemas sociais e as várias espécies animais e da flora abundantes na extensão territorial angolana dominam as propostas e trabalhos patentes na exposição. Além da exposição, o festival promove debates para reflexão.
O professor de Artes Plásticas Manuel Ventura disse que se pretende transformar o espaço de aprendizagem para afirmação dos estudantes, divulgação dos trabalhos formativos da instituição e de praticas pré-profissionais. A ideia, explicou Manuel Ventura, é dar lugar a criação e incentivos a investigação científica, artística e a história, visando favorecer o intercâmbio cultural e promova nossas raízes culturais africanas, em particular a angolana.
Uma homenagem ao artista Zola Ndonga, pelos 42 anos dedicados à formação artística, dominou na quinta-feira, a abertura do Festival Arena das Artes. Alguns estudantes e professores apresentaram uma peça de teatro com retratos da vida e obra do eterno professor. Com várias poesias de exaltação e testemunhos daquele que é considerado um dos cânones das artes plásticas no país, a peça teve a duração de 30 minutos.
Zola Ndonga recebeu um diploma de mérito do director do Cearte, Eusébio Fernandes Pinto. Agradeceu o gesto dos seus discípulos e disse ao Jornal de Angola que pretende dar sequência ao ensino das artes, tendo apontado as crianças e adolescentes como prioridades. “Vou continuar até os últimos dias da minha vida.”
Zola Ndonga leccionou as disciplinas de Escultura, Anatomia do Artista e Desenho Artístico e desempenhou o papel de director-geral do Instituto Médio de Artes no Rangel, naquelas que foram as instalações da Biblioteca e Centro de Formação Profissional Nzinga Mbandi, hoje Casa de Cultura Njinga A Mbande.
Seguiu-se uma visita guiada a exposição colectiva com mais de 60 peças de artes plásticas, ao som do violino de Henriques, sucedendo o desfile de trajes africanos desenhados por Nicolau da Silva, estudante da 12.ª classe do curso de Artes Plástico, e confeccionados pela colega de turma Marlene Afonso. A dança contemporânea foi representada pelo Trio de Desenhos Coreográficos, de autoria de Pascoal André, estudante da 11.ª  classe.
O programa do Festival Arena das Artes reserva para  hoje às 12h00 a apresentação de teatro, declamação de poesia, demonstrações com instrumentos musicais, dança e tertúlia.

Tempo

Multimédia