Cultura

Etu Lene leva à cena a peça "Uiji uijia"

Manuel Albano

Desencorajar o recurso ao feitiço para ascender na vida, exortando as pessoas a trabalharem com dignidade é a proposta do espectáculo de teatro “Uiji, uijia”, da companhia Etu Lene, a ser exibido amanhã às 20h00, na Liga Africana, em Luanda.

Colectivo de artes Etu Lene exibe amanhã um espectáculo sobre tradicionalismo angolano e que recebeu muitos elogios no Festival de Almada
Fotografia: DR

O espectáculo, com o qual a companhia de teatro venceu o Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2002, narra as peripécias de um jovem que busca um feitiço para adquirir, fama, dinheiro e bens materiais.
O jovem não queria trabalhar e para conseguir bens recorre aos préstimos de um kimbandeiro, para supostamente o tratar, de maneira a conseguir facilmente angariar dinheiro. Para que surta os efeitos desejados, o kimbandeiro, Papá Pambala, obriga-o a manter relações sexuais com a mãe enquanto esta dorme.
Escrita e montada por Beto Cassua, com dez personagens e uma hora de duração, a peça mostra Ualata, o jovem que usa o feitiço, a prosperar. As moças lançam-lhe o seu charme no intuito de o terem nos braços.
Os mais velhos acabam por desconfiar da proveniência de tanta riqueza espontânea. Bela, a mãe de Ualata, vive radiante por o filho lhe proporcionar uma vida regalada: direito a motorista, consultas em clínicas modernas, iate para passeios no alto mar e muito mais.
Porém, Bela descobre estar grávida, sem aparentemente se ter envolvido com quem quer que seja. Apesar de se tratar de um tema delicado, a forma como os actores interpretam o texto suscita sempre algumas risadas na plateia.
Beto Cassua explicou, ontem ao Jornal de Angola, que a peça tenta provocar um debate salutar, onde os espectadores possam apresentar o seu pensamento e dialogar sobre um assunto pertinente e que tem ganhado repercussões alarmantes, principalmente nas sociedades ditas conservadores, quer cultural, quer socialmente.
Defendeu um maior diálogo entre as famílias, no sentido de continuar-se a fortalecer a união entre os seus membros e contribuir para ter uma sociedade mais equilibrada, que respeite e valorize os seus aspectos culturais, morais e cívicos. A criação da peça foi inspirada numa crónica publicada pelo Jornal de Angola. “Uiji, uijia” ocupou o segundo lugar do Festeatro, em 1995, fase provincial de Luanda e  no nacional, realizado em Benguela, arrebatou o prémio revelação de teatro “Angola - 20 anos” e representou Angola no 20º Festival Internacional de Teatro de Almada, em Portugal, em 2003.
Criado em 1993, o grupo conta com 13 integrantes e tem várias obras, com destaque para “O feiticeiro e o inteligente”, “Ukumbo”, “Marcas do passado”, “Balumuka” e “Titanic”. O  grupo de teatro Etu Lene, fundado em 26 de Abril de 1993, já representou duas dezenas de obras, entre as quais “O feiticeiro e o inteligente”, “Uiji, uijia” e “O kubele”, exibidas em Luanda e em algumas províncias.
Etu-Lene, que na língua umbundo significa “nós (actores) e você (público)”, notabilizou-se na década de 90 com a peça “O feiticeiro e o inteligente”, no programa “Em Cena” da Televisão Pública de Angola. O colectivo venceu o Prémio Cidade de Luanda, realizado em 2001, com a peça “Balumuka”.

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