Existem muitos bens por classificar

Mário Cohen|
18 de Abril, 2015

Fotografia: Paulo Mulaza

O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios assinala-se hoje e o acto central em Angola é presidido pela ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, na província do Uíge.

A propósito da efeméride, a directora do Instituto Nacional do Património Cultural, Maria de Jesus, afirmou ao Jornal de Angola que existe ainda no país um grande número de bens culturais mal conservados. “Há igualmente uma boa quantidade de monumentos e locais por se registar e classificar em todo o território nacional”, disse a directora, tendo acrescentado que há sinais visíveis de iniciativas do Executivo tendentes a valorizar alguns bens culturais.

Jornal de Angola - Qual é o estado actual dos patrimónios e sítios nacionais?

Maria de Jesus - Há ainda um grande número de bens culturais mal conservado; há ainda um bom número de monumentos e locais por se registar e classificar, assim como também se pode verificar algumas iniciativas que tendem a valorizar alguns bens culturais.

JA - Quantos estão classificados até ao momento?

MJ - Neste momento temos 248 bens classificados como Património Nacional.

JA - A gruta do Cabo Ledo já foi classificada?

MJ - Ainda não foi classificada. Apenas está pré-inventariada.

JA - Quais são os procedimentos para se classificar um monumento como património?

MJ - Primeiro faz-se a pré-inventariação, depois o inventário e depois a avaliação se o mesmo reúne ou não condições para a classificação.

JA - O que representa para o país a aceitação da candidatura de Mbanza Congo a Património Mundial da Humanidade?

MJ - O reconhecimento internacional do nosso património torna possível o desenvolvimento sustentável da região, através da promoção do turismo.

JA - Quais são os outros locais ou monumentos históricos com potencial para seguirem Mbanza Congo nesta indicação? Que trabalhos são feitos neste sentido?

MJ - Outros sítios com potencialidades são: Tchitundo-hulo, o Corredor do Cuanza e Cuito Cuanavale. Está-se a actualizar a Lista Indicativa do nosso país junto da UNESCO como uma das premissas exigidas.

JA - A modificação do património nacional, particularmente em Luanda devido ao actual crescimento urbanístico, é uma preocupação de algumas entidades. O que tem sido feito neste sentido?

MJ - Há sensibilização para reduzir esta tendência e futuramente rever a classificação da Zona Histórica, limitar todas as intervenções que afectem directa ou indirectamente o património e fazer cumprir os pressupostos da Legislação.

JA - O caso do Elinga, que também é o de muitos outros, derrubados, devido a novos projectos urbanísticos, como pode ser evitado, de forma a salvaguardar-se uma parte da história do país, em geral, e da capital, em particular?

MJ - Uma das formas de evitar esse tipo de situação é a recuperação do património. Por outro lado, determinar-se a obrigatoriedade dos ocupantes e proprietários dos edifícios classificados a colaborarem na sua conservação e preservação, pois o Estado não é o único responsável por tal situação. A redefinição do uso desse tipo de edifícios pode ajudar a contornar a situação.

JA - Quais são os próximos projectos e áreas de maior incidência do Instituto Nacional do Património Cultural, para os anos vindouros?

MJ - A requalificação do património e aposta no seu reconhecimento internacional e preparar a apresentação de um quadro da situação actual.

JA - Em que estado está o património imaterial angolano, com a globalização a continuar a ganhar terreno e a aculturação a ser uma constante entre os jovens?

MJ - Não consideramos que haja uma significante mudança no património imaterial face à tendência da globalização. Preservamos o essencial dos nossos hábitos e costumes. De qualquer modo, o património imaterial, como tal, está sujeito a um processo de registo e de reconhecimento nacional e se possível ao nível internacional. Nessa matéria podemos referir que o nosso país possui um vasto e rico património integrado pelas nossas tradições populares.

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