Exposição

Francisco Pedro|
5 de Setembro, 2014

A riqueza e diversidade cultural dos cokwe estão patentes ao público, até ao próximo dia 12, no Centro Cultural Português, do Instituto Camões, em Luanda, através da mostra individual de Paulo Amaral, denominada “Raízes”.

A exposição, inaugurada quarta-feira, traz quadros da colecção particular do autor, que foram apresentados ao público, não sob a forma de títulos, mas sim de números e com a devida descrição da técnica usada pelo artista, dentre as quais o acrílico sobre tela, óleo, colagem e mista.
A maioria dos quadros apresenta uma predominância de símbolos ligados em especial ao universo feminino, em imagens de figuras abstractas, algumas com representações da deusa romana do amor, Vénus.
Paulo Amaral explicou que deu destaque às mulheres na maioria dos quadros, por estas “serem determinantes enquanto geradoras de novas vidas e muito influentes, nos dias de hoje, na vida de todos”. O casamento, a fertilidade e os valores culturais são os factos com maior enfoque na mostra.
As pinturas, disse, resultam de um trabalho de investigação sobre a cultura cokwe, alicerçado em visitas a estas localidades e estudos das obras de Mário Fontinha e José Redinha, sobre os desenhos de areia dos Lundas, designados “Sona”, que em português significa letra.
“Sona era um jogo de jovens e adultos, considerado como o primeiro modo de escrita descoberto pelos Lundas, na altura, apenas utilizado pelas pessoas cultas, que reunissem experiência e conhecimento”, justificou.
A directora do Centro Cultural Português, Teresa Mateus, disse no final da mostra que este foi o melhor meio de Paulo Amaral prolongar a amplitude do seu traço, “com toda a densidade e extensão do seu génio criativo”.
Teresa Mateus sublinhou que a técnica do artista é original e inovadora, pelo facto do seu trabalho ser inspirado nas “raízes” tradicionais, mas tendo em conta a abrangência do universal. “São estas características que o moldaram e fizeram crescer como pessoa e como artista”, destacou.
Ao comentar o trabalho artístico de Paulo Amaral, António Ole disse que “é perceptível o esforço do artista em descodificar sinais vindos da tradição das inscrições enigmáticas que povoam as grutas rupestres do Ebo”.

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