Exposição critica recurso à violência


9 de Outubro, 2014

Uma arma vazia que se torna um estojo de primeiros socorros e fotos do líder indiano Mahatma Gandhi ao lado de imagens de alguns Nobel da Paz são alguns dos objectos da nova mostra do Museu de Arte de Houston, nos Estados Unidos.

A exposição, denominada “Experiments with Truth: Gandhi and Images of Nonviolence”, é composta por 130 fotografias, trabalhos artísticos, artefactos e documentos que contam uma história com mais de 1.600 anos.
A mostra, integrada na colecção Menil, é, de acordo com a organização, digna de reflexão, por confrontar imagens pacíficas com trabalhos de arte que exibem manifestações de violência.
“No nosso mundo, a violência está presente de forma poderosa na cultura popular, é só ver o que as crianças veêm nos videojogos”, disse o director do museu e curador da mostra, Josef Helfenstein.
“Quero mostrar que existe outra tradição na arte, na qual se pode destacar a tolerância, compaixão e o diálogo”, acrescentou. A mostra fica patente até ao dia 1 de Fevereiro de 2015. Depois volta a ser exibida novamente em Abril, no Museu Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, em Genebra, na Suíça.
Josef Helfenstein seleccionou os objectos de maneira que estivessem em harmonia com o princípio da satyagraha, ou “força da verdade”, de Gandhi – forjar força e coragem para combater a agressão através da desobediência civil, da resistência e do protesto pacíficos.

Livre associação

Numa outra galeria, a direcção do museu montou a pintura “Hiroshima” do artista francês Yves Klein à frente de uma escultura do chinês Ai Weiwei, com dez pares de pés tirados de fragmentos de estátuas de Buda, provavelmente esculpidos no século VI.
 “A ideia é deixar os espectadores livres para fazer associações entre os trabalhos de arte, captar os diálogos ocultos, gerar percepções e desenvolver as suas próprias verdades internas”, afirmou Josef Helfenstein. Próximo destes trabalhos está patente uma pistola Glock, de calibre 9mm, montada como se fosse um estojo de emergência para ferimentos de balas de fogo do artista Mel Chin.
“Quando a violência é exposta, às vezes a ajuda tem de ser disfarçada”, disse o artista, observando como as letras de canções de rap muitas vezes mencionam a Glock como elogio.
Várias fotos do fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson, algumas supostamente exibidas pela primeira vez, mostram os últimos dias de Mahatma Gandhi e a reacção de choque ao seu assassinato em 1948.
“A Índia costuma ser um lugar barulhento, mas o que se vê é um momento de silêncio”, declarou Josef Helfenstein sobre as pessoas enlutadas nas imagens, acrescentando que também há desenhos e fotografias de dirigentes anti-apartheid, como o sul-africano Nelson Mandela, que chamava a Gandhi o “guerreiro sagrado”.

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