Exposição de Ole no Instituto Camões

Mário Cohen |
2 de Outubro, 2014

Fotografia: Paulino Damião

Um conjunto de 37 obras do artista plástico António Ole podem ser vistas desde terça-feira, no Centro Cultural Português - Instituto Camões, em Luanda, na exposição “Observatório dos Sentidos”.

Os trabalhos, patentes até ao próximo dia13, são uma síntese de diversas expressões artísticas, que reafirma a visão eclética e multidisciplinar do artista. Eles espelham a natureza do quotidiano universal, com títulos como a “Paisagem vertical”, “Cadernos de bordo”, “Cabeça cortadas”, “Remotas paragens”, “Espírito da terra”, “O poder da sabedoria”, “O caso do mundo”, “Serpente mística”, uma narrativa sobre paisagem, e “Ana mwaza”, pessoas que pisam água do mar.
A maior tela exposta é uma colagem feita a partir de materiais como a ganga, o papel e jornais pintados a aguarela. As obras de António Ole estendem-se pelo desenho, pintura, escultura, colagem, instalação, fotografia, vídeo e cinema. Para ele, a obra de arte só está completa quando é apreciada por outras pessoas, que fazem as suas análises. Um feed back entre o autor e o público, extremamente gratificante e importante. Os artistas, explica o pintor, constroem uma obra num silêncio enorme, por vezes demasiado pesado, durante horas e horas, dentro de um atelier, com o objectivo de a mostrar.
“Não sou artista de produzir obras para guardar na prateleira, mas sim para as divulgar, com o olhar voltado para o desenvolvimento das artes plásticas”.
António Ole realça que o mundo contemporâneo tem hoje ferramentas importantes e diversas, das quais é difícil o artista não tirar proveito para novas narrativas e novas proposta criativas. “Acredito que a minha arte pode ajudar as pessoas a mudar, porque é sempre provocadora”, afirma.
Nascido em Luanda em 1951, António Ole é um dos mais notáveis artistas angolanos. Depois de ter apresentado o seu trabalho pela primeira vez fora de Angola, em 1984, no Museu de Arte Afro-Americana, em Los Angeles, os seus trabalhos nunca mais deixaram de circular no mercado internacional de arte.

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